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quarta-feira, julho 31, 2002
Britney Spears, Sexo (Sex)
São essas duas palavras as mais procuradas na internet - informou um amigo que sabe tuuuudo de tudo.
Tem mais uma que eu esqueci. Mas não tem problema não.
Com essas daí de cima o meu blog mais estourar de tantos acessos. hehehe.
Unknown 1:34 PM
A Maldita está voltando, está voltando a Maldita
Se saiu no Globo, é oficial. A Fluminense FM volta no dia 2 de agosto, agorinha, na sexta. Mesmo dial de antes: 94,9. No lugar de uma tal de Jovem Rio, que todo mundo achava, inclusive euzinha, que era a Jovem Pan travestida de carioquice. Podemos comemorar à vontade, apesar de eu estar um pouquinho com medo de que as coisas não sejam tão rosas quanto estão parecendo.
Ok, todos têm seus medalhões favoritos. Mas não dá pra negar que a música pop, ou rock pop, ou new-rap-funk metal, mudou. Tudo mudou. Por causa daqueles aparelinhos caros pra cacete e que a Björk tem aos montes em casa: samplers. Essa coisa de purismo rock 'n roll até que é legal, em alguns casos, mas a aversão de certas correntes do rock ao eletrônico é cansatiiiiva. E meio ultrapassada. Tenho muito medo que a Flu seja uma dessas vozes caducas que dizem: "Ah, música tem que ter guitarra pesada! Computador não tem alma! Vamos queimar as baterias eletrônicas!" Ui. Parece KKK.
Eu costumava comprar a revista ShowBizz no tempo em que ela só se chamava Bizz. Aprendi um monte de coisas lá, do tipo: hard rock é coisa de menina que está aprendendo a ouvir guitarrinhas. hahaha. Mas depois eu fui conhecendo coisas mais legais (através da Flu, olha só) e aí eu abria a Bizz e tinha lá uma matéria com o Lenon, do Motorhead... Difícil, ne? Eu ouvindo um monte de Sonic Youth, e os caras falando de Heavy Metal. Tudo bem, nada contra. Mas só isso cansa. E não adianta falar que a Bizz tratava de música eletrônica também, porque a seção do considerado bate-estaca era uma paginazinha furreca comandada pelo Camilo Rocha, se não me engano (ele mesmo, o DJ de trance.É trance, ne?).
Por isso, um apelinho: Fluzona, amiga velha, não cai nessa onda não... Tem coisa eletrônica com muito feeling. De arrepiar. Nem que seja pra fazer uma horinha diária, é pedir muito? Eu amo você. Don't let me down. (Tradução para uma amiga que não sabe inglês: não me decepcione. hehe).
Unknown 1:14 PM
terça-feira, julho 30, 2002
Um Resumo
Ontem fui ao Baixo, em plena Segunda Sem Lei. Pra começar, quero dizer que esse nome não tem nada a ver com a segunda-feira do BG. O que se imagina por "Segunda Sem Lei"? Um começo de semana com pessoas enlouquecidas, tirando a roupa, ninguém é de ninguém, banhos de espuma e mesinhas de drogas lisérgicas. Mas lá no Baixo nada disso acontece: é que nem nos outros dias, só que fica mais difícil de estacionar o carro e arrumar uma mesa no Hipódromo.
Ayway, sentei naquela mesa com uma amiga que nào via há muito tempo. Papo vai, papo vem, e eu não parava de observar quem entra e quem sai do bar. Acabei me lembrando, nào sei bem por quê (na verdade sei sim, mas deixo a vcs as conclusões) de um sonho que tive na semana passada. No sonho, eu tinha um javali no canil lá de casa. O bicho estava preso, e aquilo me deixou de coração partido. Resolvi soltar o javali, e imediatamente ele começou a correr atrás de mim. Eu tive que entrar em casa correndo e me trancar na sala. Daí o bicho ficou no quintal, atasanando a vida do meu cachorro, sem deixar que eu ou a minha irmã saíssemos de casa. Fui procurar o significado de sonhar com esse animal no Swoon, mas não sei como é javali em inglês. Desisti.
Ontem, eu sonhei que o meu carro estava pegando fogo. Esse deve ter relação aos gastos monumentais que eu estou tendo com o meu móvel, ciente da desvalorização dele a cada minuto. Ao sair do BG, depois de otariamente pagar R$3 ao flanelinha (e olha que eu ainda chorei, pq o preço normal era R$5), levei uma bronca do guardinha de plantão. É que estacionei em cima de uma faixa que não podia estacionar. E o cara estava chamando o reboque. E eu até agora não sei se fui anotada ou não. Que dilema. Culminou nisso: um sonho do meu carro pegando fogo.
Ah, e hoje eu vou comprar meu DVD. Será que os meus sonhos virão legendados? hehehe Brincadeira.
Acessem amanha o Globo. Na coluna do Ancelmos Góis, pode ter uma historinha absurda sobre a polícia carioca. Pra quem gosta de rir das tristezas, vale.
Unknown 3:50 PM
segunda-feira, julho 29, 2002
Tem umas coisas que eu escrevo em vários post-it esquecidos pela vida, que depois não sei do que se trata. Muitas vezes fico na dúvida se é um texto meu ou alguma parte do meu trabalho jogado pelos cantos.
Agora eu estou fazendo uma limpeza na minha mesa (tenho que fazer isso umas 2 vezes por semana. Os papeis se multiplicam, tipo Gremilings, sabe), e encontrei um post it que, entre outras coisas, tem escrito: "Andava pela cidade procurando vizinhos e parentes".
Hehehe. Dá pra começar um romance com isso, não dá não?
Unknown 3:33 PM
PowerPuff - Fui ver o filme das meninas Superpoderosas com a minha irmãzinha. Tudo bem, elas são fofas, a música das cenas em que elas combatem o mal é drum 'n bass legalzinho, mas vou te contar - o filme é muuuuito chato. Bem melhor é ver as Menininhas no Cartoon, de madrugada, quase dormindo... ou então domingo de chuva, com pipoca, Twister e amigas de meia pela sala. Hmm, que coisa, estou virando teenager de novo. Vou até ali espremer umas espinhas.
Espertinha- Falando na minha irmã mais nova, eu descobri outro dia que a historinha que ela estava escrevendo, das irmãs gêmeas separadas na maternidade, é uma novela mexicana que passa no SBT! Essa garota me enganou direitinho; eu estava toda trouxa achando que ela ia ser tipo um Mozard da literatura (porque ela tinha começado a escrever historinhas tão cedo, mesmo que piegas). Quase fiquei brava, se não tivesse ficado orgulhosa hehe.
Betty, a feia - Me contem o que foi aquela matéria no caderno Ela desse finde com os fãs da novela Betty, a feia? Pra quem não sabe, essa é uma novela muito trash que passa na Rede Tv, se não me engano, de uma mulher que é horrível e tem uma paixão platônica pelo colega de trabalho. Adivinha o que vai acontecer com a Betty, a feia? Ganhou um doce quem disse que ela vai ficar bonita. Passem lá em casa que eu acabei de comprar uma caixa de Bala Banda. De 1983.
VIPs - Ainda no superútil e inteligente Caderno Ela, do Jornal O Globo, é da cobertura do Fashion Rio uma das frases mais lamentáveis de toda a história do jornalismo brasileiro. Alguma coisa do tipo (estou escrevendo o que eu lembro, nao dei control c, control v de nada): "Estavam no espaço VIP do Ela modelos, djs, designers, estilistas, atores - enfim, o povo que conta." Povo que conta??? Pra quem, cara pálida?? Nossa, no dia que esse povo contar pra mim, por favor, apliquem Henry Miller na minha veia. E nem adianta falar que eu estou com dor de cotovelo porque não fui convidada pro Espaço VIP do Ela. Não estou mesmo, viu. (Isso foi direcionado a um amigo que ainda acha que eu quero ser Diva, hehehe, como quando eu tinha 20 aninhos...).
Unknown 2:14 PM
quinta-feira, julho 25, 2002
Boatos chatos
Andaram falando por aí que esse ano não teremos FreeJazz. Não é brincadeira não, mas a minha beleza já está cansando dessas historinhas plantadas. Quer dizer, na minha opinião são plantadas para fazer uma espécie de teaser boca-a-boca, deixando todo mundo acompanhando cada passo da evolução do evento.
Há mais ou menos uns 5 anos eu ouço que aquele FreeJazz será o último. Que o evento perdeu a sua característica inicial. Que os organizadores não têm mais saco pra fazer a mesma coisa. E, esse ano, temos como motivo da desistência a alta do dólar.
Pode até ser que eu me ferre na minha teoria de teaser e não role FreeJazz nenhum. Mas "alta do dólar"? Essa é demais pra minha cabeça. Quantos festivais o Brasil já teve? E quantas variações da moeda americana? Seria justamente agora, nessa altura do campeonato, quando um público fiel lambe o chão do MAM todos os anos, que a galera da produção vai amarelar?
Hmmm, muy estraño.
Ai, minha beleza, minha beleza. Como está cansada.
Unknown 3:53 PM
Broncas
Essa coisa de parar de fumar é mesmo muito engraçada. Eu já dei bronca em meio mundo, porque estavam atrasando o meu trabalho.
Diga-se de passagem: eu não sou absolutamente ninguém pra sair dando bronca por aí. Sou uma reles trabalhadora assalariada, muito longe da realidade "Empresa jurídica" da aristocracia dessa redação.
Mas, peloamordedeus, se alguém fica me alugando e, pior, atrasando as coisas que eu tenho pra fazer... Eu saio do sério.
Pior ainda sem a nicotina circulando.
Unknown 12:58 PM
Repararam na infinidade de diminutivos que eu usei no último texto?
Foi sem querer, eu juro.
O que será que isso quer dizer, psicologicamente falando? Será que está demonstrando algum traço da minha personalidade que eu preferiria esconder?
Bom, a única coisa que eu sei é que o estilo está uma droga.
Unknown 9:26 AM
O terceiro Dia
Parei de fumar. Há três dias. Até agora, meu único pecado foi cair no doce de leite em cubinhos, substituindo meus bastõezinhos de fumaça. Depois dessa orgia de açúcar, a consciência pesou - e a balança também - e eu resolvi trancafiar minha boca. Fiquei mal-humorada, e só me desesperei ontem à tarde. Mas tenho medo. Muito medo.
Medo das minhas noites no BG. Não sei o que vou fazer com as mãos, nem pra onde olhar quando os meus amiguinhos de mesa forem ao banheiro. Ai, meu deus, vou ter que me readaptar à realidade social dos não fumantes. Só que eu, desde que me entendo por gente, sempre frequentei a noite com um cigarrinho na mão. Um Free no começo, um Carlton Light depois e, pra terminar, um Malborinho.
Eu admiro quem nunca fumou na vida. Quem nunca teve vontade de dar um traguinho, só pra ver como é que é. Fico pensando: "Como é que pode existir uma pessoa assim no mundo?" É como se elas estivessem mais próximas da perfeição. As pessoas que não fumam são as formadoras da galerinha cool do Mundo Bizarro. Porque aqui no Mundo Real ainda é legalzinho acender um cigarro; ainda é um charme.
O problema é que, depois que você passa a fumar um maço por dia, nota que o charme já era. E o seu cabelo está com cheiro de fumaça. E a sua roupa é um cinzeiro ambulante. Fumar não é mais tão bom e o movimento de pegar um cigarrinho torna-se mecânico, acompanhado pelo "esticar de pernas" depois de uma hora na frente do computador. Quando você calcula quanto gasta com os maços por mês, descobre que poderia ser consideravelmente mais rica se nunca tivesse tragado na sua vida. E você se deprime de perceber que não vai conseguir conhecer a Chapada dos Guimarães, porque mal tem fôlego pra caminhar 30 minutos na esteira.
Por isso eu parei de fumar. O terceiro dia é uma vitória pra mim. Eu tenho medo de ter uma recaída quando sair com meus amigos _ 90% fumante, of course. Tenho medo, mas sou corajosa. Sou muito macho. Cigarrette sucks. Abaixo a nicotina. Só não quero que todo mundo pare de fumar. Isso não. Como viveríamos se a Souza Cruz falisse?? Nada de FreeJazz. Nada de Carlton Dance. Que todo mundo fume o quanto quiser. Até começar a odiar o hábito, como eu.
Unknown 8:18 AM
quarta-feira, julho 24, 2002
Tem gente por aí dizendo que a foto que eu coloquei está queimando o meu filme.
Que eu não sou assim. Que o ângulo foi maldoso.
Ok, procurei na Web uma foto melhorzinha e só achei uma de novembro do ano passado, quando eu havia acabado de voltar de NY.
O cabelo tá curtinho, mas o sorriso é o mesmo hehe.
Eu sou a da esquerda.
Unknown 7:40 AM
terça-feira, julho 23, 2002
Galera; esclarecendo:
A menina de Londres não escreveu. Vai ver, ao me ouvir, achou que eu não era nada disso... porque não tem nada mais fácil que forjar um personagem bacaninha atrás desses teclados aqui. Ou então, ela pensou: "Ih, cara, eu pirei mesmo. Estou ligando pra uma menina no Brasil só pq ela ficou deprezinha."
Anyway, tá tudo certo. Se ela escrever, legal, ótimo! Vamos conversar bastante. Se ela não escrever, no problem: meu ego já foi massageado o suficiente.
brunapaixao@hotmail.com
Unknown 3:37 PM
Está ficando cada vez mais divertido assistir ao RJTV.
A Secretaria de Segurança do Rio anunciou que vai comprar um balão, tipo aqueles dirigíveis da Goodyear, pra patrulhar as favelas no Rio.
A manutenção vai custar 500 mil reais por mês.
Agora, imagina o dirigível sobrevoando qualquer favela do Rio de Janeiro. Quando o tráfico não está soltando fogos, está atirando pro alto. Haja 500 mil...
Pessoas de outros estados, vocês não sabem o que estão perdendo sem as notícias locais cariocas...
Unknown 3:28 PM
cara, como eu estou gorda.
Unknown 1:31 PM
Como ser Legal
Finalmente eu terminei "Kavalier & Clay". Foi no domingo passado, depois de uma festinha bem mais ou menos no Jockey Club (mas que foi de graça e acabou sendo divertida). Bom, no domingo eu estava em casa, cansada, de ressaca, com cem páginas finais de um romance de quase 700 para ler. Eu pensei; é agora ou nunca. E encarei.
Logo depois de terminar a minha pequena Bíblia ganhadora do Pulitzeer de 2001 (uau), embalei em "Como ser legal" - ou How to be Good, como tenho preferido ler, já que me emprestaram o livrinho em ingrês mesmo. Posso afiramar uma coisa com certeza, nesses primeiros dias de "Legal": eu odeio a protagonista. Ela é muito chata. Cheia de manias... Tem complexo de sofredora. Não consegue relaxar e aproveitar o momento. Tem amigos chatos. Resumindo: não merece um livro só pra ela.
Pode ser que eu mude de opinião. Aliás, com certeza eu vou mudar. Eu nunca, nunca mesmo, gosto de alguém de primeira. Não que eu me lembre, pelo menos. E já perdi a conta de quantas vezes torci o nariz para alguém que depois se tornou meu amiguinho. Sempre acabo pagando pela língua. Não fui ver "Star Wars - Episódio 2" nem "Matrix" no cinema porque cismei que era perda de tempo. Depois fiquei achando que perdi detalhes fundamentais pq tive que assistir no vídeo.
Bom, agora só faltam uns 20 livros pra minha pilha de 'não lidos' terminar. Vou falar de todos aqui, com certeza. E vou falar mal. Depois vou me arrepender. Fazer o quê: tem gente que não aprende nada na vida mesmo, ne...
brunapaixao@hotmail.com
Unknown 1:16 PM
segunda-feira, julho 22, 2002
Muito bom.
O RJTV de hoje fez uma matéria sobre a Avenida Brasil. O político (ou urbanista, ou o que quer que fosse, de quem, é claro, eu não sei o nome) convenceu Getúlio Vargas a construir a avenida com o argumento de que, caso a Alemanha bombardeasse o Rio de Janeiro, seria mais fácil para que a população deixasse a cidade.
A repórter perguntou ao entrevistado (de quem, é claro, eu mais uma vez não sei o nome ou a função): "Mas o senhor acha que Getúlio acreditava nessa possibilidade?"
O cara teve que jogar a real:
- Não, eu acho que Getúlio queria era que todo mundo chegasse na cidade mais bonita do Brasil pela avenida que desembocaria na Presidente Vargas.
Não recrimino. Se eu fosse presidente, ia ser vaidosa igualzinho. Ainda bem que eu nao sou.
Unknown 3:27 PM
Lição
Hoje meu horóscopo disse: "Não acredite em inferno astral. O período anterior ao seu aniversário é importante para avaliar a sua vida e buscar o melhor caminho que levará você a uma vida mais feliz." Falta um mês pro meu aniversário, o que não caracteriza o período do malvado Inferno Astral. Mas, just in case, eu resolvi pensar um pouquinho sobre como eu levo a minha vidinha mais ou menos.
Eu sou estressada. Sério, foi comprovado cientificamente. Ou quase. Eu tenho uma mancha no rosto que pode ter sido causada por estresse. O pai de uma amiga minha leu a minha mão quando eu tinha 14 anos e disse que com trinta eu ia ter uma úlcera. Ainda não tenho 30, mas sinto a possibilidade da úlcera muito, muito perto.
Tenho explosões de mau-humor que surgem do nada. Os mais atingidos são minha irmã, meu pai, uma das minhas melhores amigas e um dos meus melhores amigos. Mas eles aguentam tudo, com ocasionais berros de "ponha-se no seu lugar", e a gente continua junto. Depois dos meus pitis eu geralmente me arrependo e peço desculpas. Graças a Deus eles aceitam.
Eu me preocupo muito com o meu trabalho. Quando deixo uma coisa pendente vou pra casa com o estômago revirado. Fico passando mal até o dia seguinte, quando tento resolver a parada. Costumava me desesperar, até que o meu pai, numa das poucas vezes que me deu um consleho que eu considerei válido, disse: "Quando a gente tem uma coisa incomodando, a gente enfrenta de peito aberto, não fica arrancando os cabelos eternamente e deixando a resolução pra depois."
Vai ver a forma de buscar o caminho da felicidade seja esse. Vai ver o meu pai, mesmo tendo perdido tempo reclamando das minhas roupas, dos meus amigos, do meu rápido envolvimento com algumas substâncias ilícitas, nesse momento tinha razão. também, sinceramente, eu não estou nem aí pro "busca da felicidade". O que eu não quero é ter úlcera aos 30. Então, pai, valeu pelo toque. Meu estômago agradece.
Unknown 11:41 AM
sábado, julho 20, 2002
Essa eu tenho que contar
Ontem ganhei o dia quando ele já estava acabando, lá pelas 11h30 da noite. Eu estava de pijaminha, pronta para dormir cedo numa calma noite de sexta-feira - já que no sábado tinha que trabalhar. Como sempre, fiquei fazendo hora com meu exemplar de "As incríveis aventuras de Kavalier & Clay" na mão (juro que daqui a pouco acabo esse livro), quando meu celular tocou.
Chequei a bina, pra ver quem me ligava àquela hora, e o visor mostrou um troço estranho, tipo 00000. Eu pensei que fosse de NY, porque tinha acabado de ligar para um amigo que mora nos Estados Unidos, e tinha deixado uma mensagem na secretária eletrônica dele. Sabia que, quando a ligação vem dos EUA, a bina mostra dois zeros, apenas. Mas como meu aparelho de celular anda uma porcaria mesmo, achei que o display estava louco. Atendi pronta pra ouvir a voz do meu gatinho. Mas, pra minha supresa, a voz que deu o 'alô' era de uma menina. Não entendi nada.
- Quem é?
- Bruna, você não me conhece.
(pensei: será que vai ser uma daquelas situações tipo sexta série, que as pessoas passam trotes como : 'oi, vc não me conhece, mas é que eu te acho isso e aquilo...')
- Mas quem é você?
- Sabe o que é, é que eu vi o texto no seu blog sobre o celular que não toca, e resolvi te ligar.
- Jura? Poxa, obrigada, que legal! Não esperava que alguém fosse ligar. Aliás, você foi a única que ligou.
(não mencionei que nenhum dos meus amigos tinha me ligado para não deixar o momento melodramático demais).
- Olha, Bruna, eu gosto de ler o seu blog. Não fica triste se as pessoas não te ligam não, viu.
- Eu, triste? Imagina. Estou me sentindo o máximo!
- Bruna, não posso falar com você durante muito tempo porque eu estou ligando de Londres.
- Londres?!?!
- Vou mandar um email pra vc, pra gente poder conversar melhor.
- Ok, manda sim. Mas você está mesmo em Londres??
(isso explicava os milhões de zeros na minha bina)
- Estou. Nem lembro como cheguei ao seu blog. Mas cheguei e virei fã.
- Poxa, que legal. Bom, me escreve mesmo, pra gente conversar melhor.
Desligamos. E eu, burrinha, esqueci de perguntar o nome da menina! Ou, se ela falou, eu já não me lembro. Precisava contar isso pra alguém, mas já era tarde e não dava pra eu ligar pras pessoas. Entrei no quarto do meu pai e narrei o episódio. Ele me olhou sem acreditar muito, depois sorriu e disse "Legal mesmo", e eu voltei pro meu quarto cheia de mim. Por um tempo não consegui me concentrar no livro. Mas depois a excitação foi baixando e se transformando numa confirmação (reparem bem, eu disse 'confirmação') de que eu sou o máximo. Sem modéstia! Resolvi deixar a modéstia e a humildade para a segunda-feira. Nesse final de semana eu seria a Mulher Maravilha.
Agora, menina de Londres, vê se me escreve mesmo. Meu e-mail é brunapaixao@hotmail.com. Mas eu não sei como fazer pra colocar o endereço como link... Até as Mulheres Maravilhas têm seu calcanhar de Aquiles.
Unknown 9:18 AM
sexta-feira, julho 19, 2002
Movimento pelos amigos solteiros
Eu iniciei o MAS - Movimento Pelos Amigos Solteiros. É que cheguei à conclusão de que os meus companheirinhos (principalmente os do sexo masculino) ficam muito mais divertidos quando estão sozinhos. A minha teoria é de que, quando o sujeito é mal amado, ele fica muito mais cínico e irônico. E cinismo e ironia são duas características muito interessantes quando estamos batendo papo no Baixo.
No caso dos meninos, a presença feminina inibe a reação da enzima do humor nos machos. Deve ter sido comprovado cientificamente, inclusive. O cara fica caladão, não faz piadinhas ridículas - que são sempre bem vindas quando todas as piadas são do mesmo teor - e concentra atenção quase que integral à cara metade, sempre pronta a reclamar caso o namorado desvie seu foco por mais que meio minuto. Já as meninas, estas ficam grudentas, falam como bebê, agem como se fossem as mulheres mais completas do mundo e parecem a personificação da perfeição. Mais chato impossível.
Fora que não há nada mais irritante do que quando você liga para um (a) amigo (a) chamando pra ele ir na festa do ano e ouve a clássica resposta: "Hoje eu combinei de sair com a fulana. Nós vamos ver as 'Superpoderosas' e depois vamos comer fondue." Nada contra ver o filme das "Superpoderosas". Mas esse programa é exclusivo para crianças e mulheres jovens, que vão ficar o tempo todo comentando como as PowerPuff Girls são fofas.
Por isso, solteiros, vamos disseminar o MAS pela Terra, começando pelo nosso círculo de amizades. E, casados, deixem essa vida de lado. Aonde isso vai levar? À uma casa de campo, crianças lindas e rosadas e um Natal animado? Bah - isso não é nada. Agora dá licença que eu tenho que ir até o bar da esquina tomar um whisky. A casa está vazia e eu já estou começando a ouvir vozes.
Unknown 3:24 PM
Iúpi.
Agora temos "comentários". Juro que vou escrever alguma coisa daqui a pouquinho que vai fazer alguém falar alguma coisa.... Juro.
Unknown 7:45 AM
quinta-feira, julho 18, 2002
ahhhh
life sucks, definily
Unknown 1:48 PM
Não esqueçam dos meus arquivos. Tem coisa muito melhor lá do que a que está sendo exibida aqui no momento.
Unknown 11:23 AM
Sonho dessa noite
Eu estava perto da minha casa, com alguns amigos. Havia uma espécie de bangalô no meu condomínio que podia ser alugado. Era um lugar muito aprazível, que lembrava aqueles hoteizinhos de Teresópolis. Fui até um desses quartos e vi que um amiguinho estava hospedado lá. Nós saímos (eu, ele e outras pessoas conhecidas) e, do nada, uma chuva de cometas surgiu no céu. Eu tentava fazer um pedido, mas não conseguia me concentrar num determinado tema, com medo de perder um segundinho sequer do espetáculo. Eu estava dentro de um carro com teto solar, e quando fui abrir esse compartimento, o show acabou. Fiquei um pouco triste.
Depois da chuva de cometas (atenção, não eram estrelas cadentes, eram cometas mesmo), o grupo se dispersou e eu fui pra casa de carro. Mas tive que subir uma ladeira muito íngrime e de terra, e meu carrinho 1000 não aguentou . Parei e, nesse momento, veio um assaltante, levando meu carro com muitas coisas dentro: roupas, fitas K7, livros... Fiquei chateada, mas não deseperada, e encontrei o amiguinho de novo. Ele foi levar um papo com o assaltante, e o bandido liberou as minhas coisas. "Devolveu" seria a melhor palavra. Comovida, agradeci ao ladrão : "Poxa, valeu..." e ele responde: "Tá vendo né, o que eu dei pra vc. Um monte de roupa e até um carro". E eu tornei a dizer: "Obrigada, obrigada mesmo."
Eu e o amiguinho descemos o morro a pé (não sei por quê, já que o meu carro ficou de novo perto do assaltante) num clima de Happy End. E eu acordei.
Unknown 11:12 AM
quarta-feira, julho 17, 2002
Estou tentando colocar comentários no meu blog...
Tá difícil...
Alguém pode me ensinar?
Aliás, tenho medo de que ninguém coloque nada. Sou assim mesmo.
Unknown 3:46 PM
O dramalhão de nossas vidas
Eu tenho uma irmã de 9 anos, pouca gente sabe. E é muito legal ver a minha irmã passando pelas coisas que eu já passei, vivendo algumas da mesma forma que eu vivi, e outras de uma maneira completamente diferente. Outro dia, ela sentou no computador e começou a escrever uma historinha, sobre uma menina rica e uma menina pobre que, na verdade, eram irmãs gêmeas. Eu combinei com ela que todos os dias ela ia escrever uma nova parte da história. Daqui a pouco, bem antes de mim, ela vai estar lançando um livro... Enquanto eu vou só continuar lançando esses posts no meu bloguinho. Mas tudo bem.
Quando eu era crinaça, com uns 7 ou 8 anos, também gostava de escrever umas histórias. Só que os temas das minhas eram muito diferentes das que a minha irmã anda criando. Eu escrevia sobre princesas e castelos e reis justos casados com rainhas más. A minha irmã escreve uma mistura de novela mexicana e Fama, com os protagonistas sempre chegando ao sucesso no final. tudo bem, finais felizes fazem parte da infância. Mas essa coisa menina pobre x menina rica é muito SBT pra minha cabeça.
Não culpo a minha little sister. Ela cresceu vendo Chiquititas, Pinguinho de Gente, Maria do Bairro, etc etc. Sempre meninas em orfanatos, sempre meninas maltratadas e indefesas. Eu cresci vendo Trapalhões, chegando perto da língua espanhola apenas com o Chaves. Agora me diz: quem é que está certo aqui? Sou eu, com o meu conto de fadas, ou a minha irmazinha, com as mazelas infantis? Acho que não tem ganhador nesse jogo. É tudo a mesma porcaria. Estamos todos sem muita solução, sem outro caminho a seguir. O negócio é quebrar todas as televisões. Ah, quer dizer é melhor não. Esqueci por um momento que trabalho numa grande rede de TV. Vamos achar outra coisa coisa pra esculhambar, ok? Meu politicamente correto acaba na medida em que meu bolso é atingido.
Unknown 9:02 AM
terça-feira, julho 16, 2002
Vício
Ando lendo "As incríveis aventuras de Kavalier & Clay" e "Como ser Legal". Tenho devorado compulsivamente o primeiro, e acabei não me envolvendo muito com o segundo. O problema de ler dois livros ao mesmo tempo é que um deles sempre fica preterido. Bom, pelo menos comigo é assim. E o pior é que eu ignoro isso e continuo com a mania de ler dois livros na mesma época.
Tenho na minha estante, aproximadamente, uns dez lançamentos pra ler. Tanto livro com cheiro de novo me faz ficar angustiada e com vontade de terminar o atual rapidinho, pra poder passar pro próximo. É um vício pior que cigarro ou chocolate. Eu juro que já deixei de ir à praia pra ficar em casa terminando "Paraíso Refrigerado", do Henry Miller.
Unknown 1:50 PM
Perfil romântico do consumidor
Sonho de consumo: Bancar um cruzeiro ao redor do mundo para a pessoa amada.
Sonho master: Encontrar alguém que mereça esse cruzeiro.
Unknown 1:28 PM
Perfil desesperado do consumidor
Sonho de consumo: Ganhar na mega sena e trabalhar por prazer.
Sonho master: Duas pautas para a reunião da próxima segunda.
Unknown 1:10 PM
Perfil intelectual do consumidor
Sonho de consumo: Ter toda a coleção do Henry Miller.
Sonho master: ser o Henry Miller
Unknown 12:28 PM
Perfil estético do consumidor
Sonho de consumo: Fazer lipoescultura, peeling e tudo o que a Carla Perez fez que deixaram aquela mulher feia com cara de barbie.
Sonho master: Acorrentar um personal trainer aos meus pés até eu ficar com o corpo da Gisele Bundchen
Unknown 12:14 PM
Perfil do consumidor hedonista
Sonho de consumo: Passar um ano em Ibiza raving
Sonho master: Rock 'n Roll all night and party everyday.
Unknown 12:08 PM
segunda-feira, julho 15, 2002
Complicadas opções sexuais na noite do Rio
Esse final de semana fui na boate GLS Dama de Ferro. Não gosto daquele lugar; acho enfumaçado, quente, parecido com um caixote de sapato. Mas fui. Fazer o quê? Era sábado à noite, eu já tinha tomado alguns drinks com alguns amigos e queria muito sair para dançar. fomos todos pra lá.
Como eu já esperava, encontrei as pessoas de sempre. Um ex, uma eterna possibilidade, um menino lindo e gay e conhecidos recém-convertidos. Tudo certo, vamos dançar. Quando entro na pista de dança enfumaçada, noto um carequinha (não o palhaço) a alguns passos de mim, olhando na minha direção. Ele está com alguns amigos; merece uma nota 6 no quesito beleza e 8 no quesito vestiário.
Tomando a velha máxima "Está no inferno, abraça o capeta" como mantra, retribuo o olhar do menino. Não sei qual é o problema dele, já que a qualquer momento ele poderia erstabelecr conversa comigo. Mas não puxa papo. Nunca. olho para o relógio e as horas passam: 3h, 3h30, 4h...
Noto que o cara agora está conversando com uma morena. Ele olha pra mim e conversa com ela, e eu tenho a impressão de que ele está me sacaneando. Às 4h30 decido ir embora, cansada depois de horas de papos, cigarros e passinhos de dança. Agarro meu casaco de pelúcia e vou dando tchauzinhos para os amiguinhos, quando sou interceptada pelo menino careca.
- Você não vai embora agora, vai?
- Vou.
- Ah, que isso. Olha, é cedo. E tem uma menina linda querendo te conhecer. Aquela ali, ó. (Aponta para a morena com quem estava conversando antes).
Eu sorrio, e digo:
- Não fico com meninas.
Soa quase como uma desculpa.
Ao passar pelo meu ex, dou uma piscadinha marota de despedida. É melhor eu abandonar a máxima do inferno... Pode me causar problemas.
Unknown 2:54 PM
probleminhas com meu blog... etsou tentando
Unknown 1:56 PM
Siglas
- Oi. Posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- Você é G, L ou S?
- Sou bi.
- Mas hoje está mais para hetero ou homo?
- Nenhum dos dois. Estou de TPM.
- Então por que veio à festa?
- Sou VIP.
- hãn...
Unknown 1:16 PM
sexta-feira, julho 12, 2002
Kiss me baby - Ando estranhamente sonhadora com essa história de príncipe encantado. Às vezes eu tenho a leve impressão de que o meu já passou, e agora eu tenho que me contentar com os coadjuvantes. Outras vezes, caio na real e acredito que essa coisa de almas gêmeas é farinha do mesmo saco das vidas passadas e paraíso pós-morte. Sinceramente, isso tudo é influência de um livro que eu estou lendo, "As incríveis aventuras de Kavalier & Clay". É um romance sobre história em quadrinhos, não tem nada a ver com love life. Mesmo assim eu, bobona, deixei o meu lado princesinha problemática ressurgir. Mas, ao que tudo indica, essa tendência deverá passar no final de semana. Amém.
Unknown 2:30 PM
A Magia da Sexta-Feira - Impressionante como as pessoas aqui na redação não estão nem um pouquinho a fim de trabalhar, apesar do monte de coisas que todos têm que fazer. O chefão não veio, o chefinho foi embora mais cedo, e nós, proletários, resolvemos fazer uma orgia de pipoca de microondas. Muita diversão. Eu nunca havia falado do meu trabalho neste blog antes porque sempre achei o tema monótono, guardado apenas para quando eu encontrasse uma daquelas pessoas com quem tenho que conversar, mas falta papo.
Anyway, há quem pense que essa sexta friazinha é ideal para vinho tinto, DVD e cobertor de orelha. Eu não. A esbórnia está me esperando.
Unknown 1:52 PM
quinta-feira, julho 11, 2002
Sobre a Culpa
Antes de tudo, eu queria me desculpar pelos textos referentes à sentimentos humanos. "A verdade sobre a saudade" já pegou pesado. Agora eu venho com um "Sobre a Culpa". Desculpe mesmo. É que tenho pensado bastante sobre isso, nas últimas 48 horas. E cheguei a uma conclusão desconfortante: culpa é que nem saudade; gosta mesmo é de ser cultivada. Parece óbvio, mas não é. (Nessa linha de raciocínio estou quase concluindo que tudo que a gente sente, salvo momentos de êxtase não sintético, é fabricado pela nossa carência de emoções fortes. Daqui a pouco estaremos todos assaltando bancos pra sentir que estamos vivos.)
Tenho um amigo que lida com a culpa - pelo menos na teoria - da forma mais light possível. Quando ele age de uma maneira que poderia lhe causar arrependimento depois, ele simplesmente desloca essa ação para fora de seu universo. Ok, vamos a exemplos mais simples. É claro que quando ele me falou isso, estava se referindo a traições. Ele disse pra mim: "Nenhuma dessas meninas com quem eu fico significa alguma coisa que possa alterar o meu sentimento pela minha namorada. Então, a menos que a minha namorada me veja com outra pessoa - e isso dificilmente vai acontecer - ela nunca será realmente traída, uma vez que eu estou todos os dias ao lado dela, apaixonado."
Hmmm, ok. Temos que fazer um mantra com base nessa explicação. Vai servir para os momentos em que vc quer trair, mas tem medo; ou para a hora em que vc tem certeza de que seu gatinho está com outra. Mentalizem: "é de mim que ele gosta; é de mim que ele gosta..."
Unknown 9:17 AM
quarta-feira, julho 10, 2002
Parabólica de alianças
Preciso inverter o meu pólo com urgência: ultimamente tenho atraído só homens casados. Posso garantir que isso é muito ruim, e que não há nada de glamouroso em ser "A outra". Ainda não fui a segunda dama por alguns motivos óbvios e outros nem tanto.
O primeiro: a culpa. Eu me sinto como se estivesse ignorando a ética da convivência humana - e, de certa maneira, estaria.
O segundo: a cumplicidade feminina. Aquela coisa de pensar: "Poxa, eu não gostaria que uma mulher desse em cima do meu marido." Isso não é comportamento de mulherão, é coisa de mulherzinha.
O terceiro: meu ego não permite que eu seja a segunda opção.
Ontem fui no show de um amigo meu num barzinho cafona da Zona Sul. Encontrei um casado e fiquei batendo papo com ele, sem muitas outras intenções (apenas algumas - hehe). Eu juro que quem começou a jogar charme foi ele. E eu, pra não ficar pra trás, acabei devolvendo a bola. Daí a gente ficou assim, meio jogando vôlei:ele lançava de lá, eu dava um toque daqui, mas ninguém cortava e marcava ponto. Um tempinho depois, a telepatroa ligou, e o casadinho foi embora.
Beleza. Ia começar tudo de novo. Fui prestar atenção no show que estava rolando, e saquei um carinha lá atrás, perto do palco. Acompanhado, é claro. Levantei a ficha do menino pra saber se valia o esforço, e estava tudo clean: aparentemente a garota que estava com ele era coisinha sem importância. Mas não era não, depois eu soube. Era a namorada dele de oito anos. Oito anos! Tá brincando; oito anos deve ser o tempo de toda a minha vida sexual ativa.
Eu acho que o problema é que eu não devo ser do tipo que se casa. Me lembro que as minhas amigas tinham namorados de anos na adolescência; e eu sempre estava sozinha. A gente fazia viagens pra Paty de Alferes, e elas levavam seus respectivos. Eu era sempre a única solteira no grupo. Mas eu nunca deixava de viajar com eles. A minha dignidade não permitia que eu ficasse em casa porque não tinha namorado.
Outro dia, encontrei um ex casinho num churrasco. Daquele tipo de casinho mal resolvido mesmo: o cara ligou um dia, ligou no outro, depois sumiu. Eu sabia que ia encontrar esse menino no tal churrasco, e já fui psicologicamente preparada pra isso. Só que ele estava acompanhado. E de uma patricinha clássica. Eu pensei: o cara já tem trinta anos, está a fim de casar. E se eu fosse um homem querendo compromisso sério, eu ia casar com aquela menina, definitivamente. Se eu fosse homem, eu nunca casaria comigo. É isso que eu passo pra eles, eu acho. Mas, hehe, quem compra a caixa-surpresa nunca sabe o que está lá dentro pronto para saltar: uma cobra ou um palhaço.
Unknown 8:24 AM
terça-feira, julho 09, 2002
A verdade sobre a saudade
Da série: Títulos que rimam
A saudade é o pior tormento
É pior que o esquecimento
É pior que se entregar.
A saudade é o pior castigo
Eu é que não vou levar comigo
A mortalha do amor - adeus.
Do Chico. Sim, o Buarque.
Muito lindo Chico, como sempre. Mas é mentira, desculpe dizer. A saudade é puramente momentânea, e eu descobri isso outro dia, ao responder um email a um amiguinho que está longe, e que eu adoro muito. Ela está fadada a acabar cerca de 72 horas depois que o alvo do nosso "sentir falta de" é reencontrado. Descobri que quando matamos a saudade ela morre de verdade; que incrível, ne. Olha só pra mim: morei fora uns 6 meses, e sentia falta da minha cama, do colo do meu pai, de brincar com a minha irmãzinha, de sair com meus 342 amigos... Voltei, e foi ótimo rever todo mundo. Até que chegou a sexta feira, e eu comecei a me sentir estranha e reconheci aquela nostalgia: estava missing o povo que tinha deixado pra trás naquele outro país, há milhas e milhas de distância.
O grande lance da saudade é que ela gosta de ser cultivada... Dá uma deprê do tipo: 'mesmo quando eu voltar a encontrar tal pessoa, não vai ser como antes, porque não estamos mais lá como naquele tempo, etc etc'. Será que só eu sou assim? Que chora sobre o tempo derramado, cheia de pena de que esse tempo nunca mais possa voltar, pelo menos não como era exatamente naquela época? Ai, caraca, não consigo me livrar das palavrinhas mágicas "Lá" e "Então". É muito desconfortável não me encaixar nunca no momento presente; muito mesmo. Por isso, eu tô querendo mesmo é que a saudade se dane, sinceramente. Eu estou decretando aqui que, a partir de hoje, não sinto a falta de mais ninguém. Simplesmente não ligo, decidi.
Está claro que a saudade é uma farsa? Uma nobre farsa, é verdade, mas não deixa de ser inventada. Embutida por nós mesmos no cérebro, até que a gente sufoque, e fique cantando o Chico pra sempre. Ai, Chico, que droga, dá pra não deixar essa saudade tão linda, por favor?
Unknown 9:26 AM
Incompatibilidade de gênios
Impossível compreender: ela está chorando. Depois de ter trepado, ela chora. Que tipo de mulher é essa? Será que está chorando por minha causa? Com certeza é por minha causa. Maria sempre foi apaixonada por mim, não entende que eu sou assim mesmo, meio sem jeito com essas coisas de dizer sentimentos. Mas eu gosto dela. Será que ela sabe? Ah, deve saber... Mas que coisa; a gente tem uma foda dessas e a mulher chora. Será que ela achou uma droga? Será que eu machuquei a Maria em algum momento? Acho que vou fingir que não percebi esse choro. Vou ignorar essas lágrimas aqui no travesseiro. Não tenho muito saco pra esse tipo de sentimentalismo feminino sem explicação. Deve ser TPM. É, com certeza é TPM. Daqui a pouco ela melhora.
-Ei, você está chorando? Por quê?
Ai, droga, ele viu que eu tô chorando. Que que eu vou dizer agora? Nem eu sei porque eu estou aqui me debulhando... Será que ele vai entender alguma coisa se eu explicar? Sabe o que é, João, é a intensidade... A intensidade, que não consigo colocar pra fora de outra maneira. Foi sem querer, eu juro. Quando vi já estava assim: engasgando de soluços silenciosos pra você não ouvir. Sabia que você viria com um monte de perguntas de ordem prática, querendo respostas objetivas. Eu não sei porquê estou chorando, elas apenas vieram, as lágrimas, apareceram nem sei da onde. Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo depois dessa foda, e ele vem me perguntar por que estou chorando.
-Não é nada não, bobeira. Tá tudo certo.
Ótimo, mais um mistério. Será que ela está esperando que eu a abrace e console? Mas consolar do que, meu deus? Talvez eu tenha sido estúpido em algum momento, sem perceber... Vai entender, essa alma aqui do meu lado é tão cheia de pequenas observações sobre coisas sem importância, cheia de milhões de matizes, tenho que tomar o cuidado pra não ferir, se não depois o sacana vou ser eu. Ela está triste; mas com o quê? Preciso arrumar um jeito de fazer ela parar com esse chororô. Não consigo ficar do lado de gente chorando, Maria. Fico preocupado... Sei que não parece, mas fico. Mas que droga, é tudo um dramalhão tão grande. Vou deixar ela chorar até esgotar; uma hora cansa.
-Você está triste?
Não é tristeza não, menino. Como é que eu vou explicar? É um pouco de tristeza sim, mas também é felicidade junto. É porque foi bom pra cacete, e só é bom assim com você. E é bom chorar, é como se eu deixasse alguma coisa explodir lá dentro, dinamite que estava precisando ser detonada há muito tempo. Será que você não percebe a piada de tudo isso? Será, João, que você não saca a grande ironia que é a gente se sentir tão bem, tão bem, que tem vontade de chorar? Mas não, não é isso: um choro de alegria. Não é isso. Tem uma euforia envolvida, tem um monte de possibilidades que surgiram agora, tem a questão de você não estar trancafiado no meu armário, tem o fato de você ser livre pra sair por aí, tem a minha vontade de ter um filho seu, tem a minha vontade de nunca ter um filho...É muita coisa, João, será que você está mesmo a fim de falar sobre isso? Podia conversar com você por horas, até amanhã, se quisesse. Você estaria de acordo?
-Claro que não tô triste. É que muita coisa está acontecendo, só isso.
Como ela sempre consegue um jeito de responder e não dizer nada ao mesmo tempo? Ela me deixa tonto com essas coisas. Subjetividades – eca. Chega de subjetividade. Agora eu vou ter que adivinhar o que ela quer? Mas não vou consolar a Maria assim, do nada. Ela não tem do que ser consolada, pelo amor de deus! Vou embora, isso aqui já está ficando chato. Quero ir pra casa, dormir na minha cama, ouvindo David Bowie. Não vou nem dizer nada: vou levantar e começar a me vestir. Putz, não, aí que ela vai começar a chorar mesmo, e isso eu não quero. Vou perguntar.
-Você quer ir embora?
Quero. Mas daqui a pouco. Deixa a gente ficar curtindo um pouco isso aqui... Essa cama aqui. Eu estou gostando de colocar pra fora, vomitar pelos olhos. Tenho ingerido muita porcaria cerebral ultimamente. Está fazendo mal, estava precisando desintoxicar. Uma trepada dessa por dia e eu fico leve como uma pluma. A gente devia vir mais pra cá, sabia? Será que ele sabe que eu queria vir mais? Acho que não, provavelmente não. Deve achar que ele teve que me conquistar pra me trazer até aqui – hehe. Melhor assim; pode pensar assim, João. Como é que a Simone de Beauvoir disse mesmo? "A mulher só conquista quando se faz de presa". Preciso me guiar mais por essa frase e controlar toda essa impulsividade.
-Quero ir sim. Mas deita aqui um pouco.
Deito só um pouquinho. Nada de ficar horas deitado olhando pro vazio, Maria. Coloquei umas músicas pra baixar no meu computador e quero ver se deu tudo certo. Ela me beija, e ainda dá pra sentir um pouquinho das lágrimas. Ou será impressão minha?
-É muito bom trepar com você, sabia?
(o que eu quero dizer é: eu gosto de você)
-É, também acho bom com você. Eu gosto de você, sabia?
(o que eu quero dizer é: eu gosto de você. Agora cala a boca e continua me beijando, até que expulsem a gente daqui.)
*brunapaixao@hotmail.com*
Unknown 7:43 AM
quarta-feira, julho 03, 2002
Morte anunciada - A julgar pelo número de ligações que eu recebi até agora, em breve teremos não só o assassinato do meu celular, como a deste blog também. Um viva à falta de popularidade!!
Blog Legal - Agora eu tenho a mania de fuçar o blog dos outros quando estou na espera de algum telefonema. Ao invés de ficar ouvindo aquela músiquinha, eu percorro um monte de sites, em sua maioria escritos por jornalistas recém-formados. Não tem jeito, ne: o cara faz jornalismo e passa a faculdade inteira ouvindo que o texto tem que ser isento, etc etc. Aí o sonho dele fica sendo o de ter uma coluna em que possa expor melhor o próprio ponto de vista, sem ter que ficar dando recado nas entrelinhas. Como esses espaçoes só aparecem quando o profissional já tem uns 20 anos de carreira, o foquinha acaba criando seu blog. Mas sabe que tem coisa legal? Podem ver o notas.gonzo, de uma garota cuca-legal, que ainda por cima canta bossa nova. Bom, chega de propaganda dela.
Ah, o meu blog não se encaixa no modelo descrito acima. Eu escrevo aqui pra ver se a cosia toda fica mais engraçada e suportável mesmo.
Unknown 1:36 PM
A delicada relação entre eu e meu celular.
Acho que vou jogar o meu celular no lixo. Ele me faz sentir muito solitária, porque não toca nunca. É o celular mais silencioso do Rio de Janeiro. Além disso, parece que ele tem mania de implicar comigo. É só eu sair da sala cinco minutinhos pra fumar um cigarro que, ao voltar, encontro uma ligação não atendida de um número misterioso. Imediatamente, crio inúmeras possibilidades para aquele número e tento, em vão, retornar a ligação. Depois me consolo pensando: vão me ligar de novo. Só que não ligam. E o celular permanece silencioso ao meu lado, enquanto milhões de outros não param de tocar suas aporrinholas eletrônicas ao meu redor.
O meu celular é daquele modelo Nokia de pobre. A bateria está saindo, e volta e meia eu o encontro desligado dentro da bolsa. Por isso, mandei instalar uma caixa postal e gravei uma mensagem cuidadosamente casual: “Oi, vc ligou pra Bruna, no momento não posso atender, mas deixe seu recado após o bip, obrigado.” E eu ainda tive que gravar essa mensagem duas vezes, porque na primeira eu gaguejei. Acho que eu sou a única pessoa do mundo que gagueja ao gravar a mensagem da secretária eletrônica, e que possui um celular silencioso. Tudo muito deprimente.
Mas eu estava mesmo a fim de jogar o celular fora. Pensei sobre isso ontem durante uns dez minutos, até me tocar de que eu estou devidamente viciada no aparelinho. Não sei mais combinar sessões de cinema com os amigos sem o bom e velho telefone portátil. Fico achando que vão esquecer de mim, como eu já esqueci uma amiguinha em casa na oitava série. É que a gente tinha combinado que o meu pai levaria a galera pra uma festa, e o pai de outra pessoa pegaria. Mas eu não passei na casa dela, e só lembrei da menina quando já estava dentro da boate. Horas depois ela chegou, com um bico do tamanho do mundo, é claro. No dia seguinte, no colégio, pedi mil desculpas, mas ela não quis aceitar. Fiquei meio de saco cheio daquele drama todo e acabei deixando rolar. Pelo visto ela encheu o saco também, porque uma semana depois a gente conversou e ficou tudo na boa de novo.
Mas o trauma persiste. E olha que eu nem fui a esquecida.
Por isso tudo, para que a minha neurose não aumente e eu não me torne uma paranóica, vou divulgar aqui na rede meu telefone. Tudo bem que não vai adiantar muita coisa, já que quem lê esse site já tem meu número. Mas, pra deixar a situação com um apelo dramático maior, aqui vai ele: (21) 9131-4790. Só não vale ligar a cobrar.
Vamos ver se isso resolve alguma coisa. Se a situação não mudar, acho que meu celular vai ter que aprender a nadar...
*brunapaixao@hotmail.com*
Unknown 7:32 AM
terça-feira, julho 02, 2002
Pelo amor de Deus, alguém está com a TV ligada agora? Os jogadores da seleção estão passeando em cima de um carro de bombeiros no DF. Eu não sabia que tanta gente morava em Brasília... hehehe. Fico imaginando os caras virando a noite dentro do avião, com o fuso horário completamente invertido, tendo que ficar dando adeus pra galera. Me dá até uma certa pena deles.
Depois eu lembro de todos os milhões de dólares que os caras ganham e a pena acaba, na hora. Tem mais é que dar tchauzinho pra multidão mesmo.
15h eles estariam no Rio. Eu não vou ver, porque tenho que ficar trabalhando. Estava lamentando em voz alta a minha impossibilidade de receber a seleção no seu retorno glorioso à pátria amada, quando um amigo meu perguntou: "Vc iria mesmo ver os caras chegando se estivesse de folga??"
Hmm, maybe not. Ainda no vi "O Closet", e o filme já está quase saindo de cartaz.
Unknown 10:47 AM
Eu sou uma princesinha problemática
ou A influência dos filmes da Disney na minha educação sentimental
Depois de um final de semana pensando em amores passados e quatro relacionamentos sérios fracassados, cheguei à conclusão, cheia de pena de mim mesma, de que tenho azar no amor. O que não significa que eu tenha sorte no jogo – e eu desconfio ser a exceção que confirma a regra do ditado dos apostadores e encalhados. Sabe o que é, é que em todos os meus namoros fui eu quem levou o pé na bunda. Deve ter alguma coisa errada com isso, imagino. Ainda hoje tento me convencer de que eu sou o tipo de pessoa que vai até o fim nas coisas que faz, o tipo que se entrega sem pedir nada em troca, o tipo que quer cuidar da pessoa amada, etc e tal. Mas a verdade é bem menos romântica que isso: eu sou uma teimosa. Mesmo quando a coisa está desandando eu digo: “Não, não, é uma fase que passa já já”. Passa mesmo, e no dia seguinte eu fico jogando tarô na web.
Mas essa história de eu teimar em ficar com o meu “amor” da vez tem muito a ver com a lógica do príncipe encantado. Nesse ponto, acho que a minha educação sentimental foi extremamente prejudicada pelos filmes da Disney. Mesmo sem querer admitir isso em voz alta, eu ainda acredito que um dia irá bater à minha porta um moreno alto bonito sensual, montado num cavalo branco. Será amor à primeira vista, atração sexual & intelectual, no games at all, felizes para sempre – the end.
Me lembro claramente uma ocasião em que eu estava assistindo na TV um filme da Branca de Neve com minha mãe e minha irmã. Lembro da hora que o príncipe dá um beijo na princesa, e ela retorna à vida, e os dois saem cavalgando juntos pela floresta. Os anões estão em festa. E eu estou sorrindo... Minha mãe percebe meu ar de sonhadora e não perde a oportunidade: “Que carinha é essa, minha romântica?” Eu fico sem graça e, a partir daí, tento disfarçar minha expressão de felicidade clandestina (desculpe aí, Clarice) sempre que a mocinha e o mocinho ficam juntos no final.
Foram anos e anos de massacre em animação. Cinderela era a minha favorita porque era a mais bonita. Com a Pequena Sereia eu já era grandinha, mas um tanto quanto influenciável. A Bela Adormecida também foi salva da morte por amor. Eu acho que precisava disso: um cara que me fizesse ressuscitar, que me fizesse entrar em Estado de Emergência, que sacudisse um pouco os meus dias. Eu nunca pensava no meu papel, na parte que me caberia de perdoar, aceitar, mudar e, principalmente, dar o braço a torcer. Como eu sou teimosa. E como dói não dar o braço a torcer.
Hoje o meu primeiro ex não representa nada (e ainda há quem duvide disso); meu segundo ex me encontra em festas completamente cheirado; meu terceiro ex me convida para almoços que eu, polidamente, declino; e o meu quarto ex é muito recente para ser mencionado. E eu nem falei dos coadjuvantes, que às vezes também fazem certos estragos. E eu nem citei os paqueras, e os possíveis, e os platônicos. E eu nem citei os futuros, que virão muito antes e, quem sabe até, depois do Right One. Se é que ele ainda existe, depois de ficar tanto tempo atrás de princesinhas problemáticas que nem eu.
*brunapaixao@hotmail.com*
Unknown 7:58 AM
segunda-feira, julho 01, 2002
O Brasil é Penta. Uhu.
Eu juro que fiquei feliz quando acabou o jogo do Brasil. Eu juro que abracei o meu pai, tirei fotos com a bandeira, brindei com pró-seco às 10h da manhã. Um amigo me pegou em casa pra gente ir à praia de Ipanema comemorar e eu fui, sem blusa verde-amarela, porque não tinha. E o camelô estava cobrando caríssimo por uma peça que, provavelmente, eu só usaria de novo quatro anos depois daquele dia.
Mas a gente foi pra Ipanema e a euforia da vitória gerava uma alegria coletiva. Segui de janela aberta porque estava achando que os ladrões deviam estar comemorando a taça conquistada. Todo mundo era tão solícito e simpático; as amizades nasciam rápido e morriam depois que nós deixávamos o local, na nossa peregrinação em vários pontos da praia. Tudo numa boa, sem rancores de nenhuma das partes.
Quando paramos em frente ao posto 9, onde um grupo de pós-hippies (provavelmente ex-alunos da Puc) tocava samba com uma galera animada em volta, rolou a minha estagnação. Veio forte, me deixou com sono, fiquei com vontade de sentar e ir pra casa. Eu, que nunca tinha comemorado um campeonato mundial antes, criei expectativas quanto à festa do penta, e olha só o que aconteceu: muito tédio.
Essa estagnação rola com freqüência. Encaro até como uma espécie de doença, que me impede de desfrutar momentos em que todos à minha volta se divertem. Quero dizer, provavelmente eu estava errada, já que umas cem pessoas pulavam ao meu redor como se fosse o último dia de suas vidas. Lembro do email que mandei para um dos meus amigos quando morava em NY. Ele detectou um sinal de bocejo nas minhas linhas, nenhuma empolgação de novas descobertas, e acabou escrevendo na resposta: “Já posso ver você em Nova Iorque com sono, querendo ir embora às 2h da manhã” – uma referência à minha mania de querer sair da boate no que ele considerava ser o auge da noite.
Mas aí tomei um Iced Tea, comprei aquele brinquedinho de fazer bolinhas de sabão, e resolvi aderir à máxima “Se está no inferno, abraça o capeta”. E caí na folia. E fiz novos amigos sem nome. E terminei a noite no Baixo. E voltei pra casa com a certeza de que, o Brasil ganhando na próxima copa, vou sair pra comemorar e vou achar uma merda de novo. Mas eu não deixo a banda passar sem eu ir atrás. Ainda mais sob o efeito chapahouse da vitória.
*brunapaixao@hotmail.com*
Unknown 6:56 AM
Citando Futuro
Tinha prometido não falar na realidade, quando um helicóptero passou rasante sobre a sua cabeça. Era noite e ventava muito, mas ela já não sabe se o que despenteava os cabelos era o vento ou as hélices. A faixa de luz vinda do alto vasculhava o chão à procura de elementos suspeitos. Ela, por sua vez, suspeitava que o facho luminoso fazia lembrar Robocop, Blade Runner e Exterminador do Futuro.
Mas nada de Jetsons. Sentia falta dos carrinhos que voam, e imaginava quilométricos engavetamentos no ar: iriam provocar uma chuva de fogos de artifício. Enquanto isso, em minúsculos apartamentos com fechaduras identificadoras de impressões digitais, o mundo jantaria cápsulas de seus pratos favoritos. Na TV, a cabeça de Timothy Leary, recentemente descongelada, pregaria que nada havia mudado desde 1970: apenas o LSD entreabre as portas da percepção. O resto é somente enganação pobre, paraísos de três horas de duração, confusão mental, ligação, violência cerebral. No final, até Timothy Leary estava enganado.
Mas o helicóptero que voava baixo passou zunindo pelo o ouvido dela, arrastando consigo a calda de luz que varria o solo. Ela pensou: talvez as pessoas se sintam mais seguras assim. Depois lembrou que em Miami o governo colocou câmeras monitorando as ruas, um olho eletrônico fantasiado de Grande Irmão, tentando intimidar marginais. É claro que os últimos que se intimidam são eles, mas a gente finge que não. A gente finge que helicópteros baixos estão à procura deles, e não da gente. A gente acha que está fora de tudo isso, que pertence a outra espécie de planeta onde nada de mal pode existir, onde ninguém morre ou sofre muito – até que um dia, inevitavelmente, isso acontece.
Ela sentou no banco da praia e acendeu um cigarro. Meio sem vontade própria, começou a cantarolar uma música de autor desconhecido, desorganizando a letra e invertendo o seu significado original: Realidade – que droga. E nem dá barato.
*brunapaixao@hotmail.com*
Unknown 6:12 AM
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Atenç?o: isto n?o é um di?rio////
Pesando: 55 Kg.//
Gastando: com nada. Os amigos pagam pra mim :)///
Pensando: Sobre a muito bem vinda leveza do ser.///
Lendo: CRIME E CASTIGO, Dostoievski e TR?PICO DE C?NCER, de Henry Miller
AVISO!!!!!!!!
Agora estou em www.mulherzinhagirlie.blogspot.com
Até que alguma boa alma do Blogger conserte as minhas atualizaç?es.
APARE?AM POR L?!!!
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