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Pequenas Observaç?es sobre Coisas sem Importância

     

quinta-feira, agosto 29, 2002

 
Faxina

Definitivamente, mudanças precisam ser feitas do lado de dentro. O vento não circula com facilidade, os móveis estão velhos e mofados, e o estofado dos sofás acumula anos e anos de poeiras-mágoas, que acabam escondendo o estampado do tecido. Aqui dentro, o ar viciado entope os pulmões, já meio cinzas de fumaça de cigarro, e pelo chão do meu cérebro jazem palavras soltas e livros e letras de músicas infantis. Ocupam um espaço precioso nas minhas recordações.

Acaba que eu não consigo lembrar do nome de quem me foi apresentado ontem. Lembro apenas do rosto – ainda conservo uma boa memória fotográfica. Os retratos ficam pendurados nas paredes, mas o título das obras é sempre inexistente. Acaba que encontro com esses conhecidos – anônimos e eles vêm falar comigo me chamando pelo nome, e eu tento cutucar cada canto escuro da sala interna à procura de suas identificações.

Saber que algo precisa mudar é muito fácil; mas a mudança a ser feita é um pesadelo que me tira o sono. Não sei se deixo as janelas da minha sala bem abertas, pra deixar o sol entrar. Tenho medo de que comece a chover e os meus puídos tapetes persas, herdados da vovó, fiquem arruinados. Seria a destruição definitiva para eles.

Também acho que as almofadas ficariam melhor se afastadas da porta, mas receio que, uma vez liberada a entrada, isso aqui vire a casa da mãe Joana. Os visitantes chutariam a minha mesa de centro em forma de coração e beberiam toda a água da geladeira. É certo que os poucos que vieram aqui provocaram estragos muito maiores. Mas alguém pode me dizer como se faz para selecionar melhor os convidados?

Por enquanto, nenhuma festa. Por enquanto, fechada para balanço. Tem gente batendo à porta, mas eu me recuso a abrir. Seguro os retratos sem nome - pronta para jogá-los pela janela - mas me falta coragem. Penso em arrastar a cama e trocar o piso, mas isso daria um trabalho que, talvez, vá me consumir muito tempo. O que eu preciso é de um decorador de interiores. Pelo visto, vou ter que procurar nas páginas amarelas.


quarta-feira, agosto 28, 2002

 

Agora tenho fotos on line

Imperdível...
 
From the newsroom

Fontes quentes asseguram que Brizola esteve visitando a redação do Globo hoje. Segundo meu personal informator Tabajara, ele foi até lá fazer... política. Meu informante não é mesmo muito bom. Agora, a vida não é irônica? Será que nosso querido Brizola, lá pelos idos da década de 70, esperava que ele um dia pisaria na redação daquele jornal??
Como cantou uma amiga minha: Roda mundo, Roda gigante...

terça-feira, agosto 27, 2002

 
25

Quando eu penso em alguém que está completando 25 anos, lembro da personagem da Brigitt Fonda em Vida de Solteiro. Ela se vira para a câmera e diz que em uma semana completará um quarto de século e que, portanto, ela só tem 7 dias para fazer suas loucuras. Segundo essa personagem, depois dos 25 fazer loucuras é sinônimo de imaturidade.

Pois eu só tenho dois dias pra fazer alguma loucura. Aliás, sinceramente, já era tempo de eu ter tomado juízo e parado de me comportar como adolescente que ganha dinheiro. Eu tenho uma especial culpa em relação às minhas economias gastas em noitadas - é como se elas fossem para o fundo de um ralo. Mas, enfim, como eu estou solteira, tenho carro e muitas noites livres, acabo sucumbindo ao prazer fugaz de uma noite dançante.

O negócio é que, às vésperas de completar meus 25, eu estou começando e me sentir meio tia quando saio à noite. Consigo identificar nas meninas minhas fases de adolescência. Por exemplo: aquela meio hippie e cheia de anéis nas duas mãos sou eu aos 15 anos, louca por Janis Joplin. Aquela com cabelos curtos e pintados de vinho sou eu aos 17, ouvindo Garbarge e Sonic Youth. Aquela outra usando saia e botas até o joelho, com estrelinhas grudadas perto da sombrancelha, sou eu aos 21, ouvindo Chemical Brothers. E essa aqui apontando pra todo mundo sou eu aos 24,97. Deu pra entender minha situação?

Tem oura coisa que faz meus cabelos ficarem um pouquinho mais brancos: essa obrigação absurda de achar o amor da sua vida antes dos 30. O que se fala sobre as mulheres de 30 solteiras que atacam os homens porque "o mercado está ruim" é de amedontrar qualquer donzela. Eu fico com um ódio tão grande quando meus amigos dizem que não existem homens de 30 e poucos que sejam bacanas, bonitos e desempedidos ao mesmo tempo no Rio de Janeiro. Isso é uma besteira de marca maior... E o pior é que a mulherada cai direitinho. Eu caí direitinho. Fico quase com medo de chegar aos 35 e ser a última das moicanas entre as minhas amigas que ainda é solteira. E enquanto elas fizerem programas com vários casais (programas tipo cineminha, não swings, ok?), eu vou ficar cuidando dos filhos, que serão todos meus afilhados. É pra ter medo mesmo, não é não?

Mas o importante é que eu ainda tenho dois dias pra fazer loucuras sem ser taxada de imatura. Quanta responsabilidade em relação ao bom uso dessas últimas 48h... E o pior é que eu sei exatamente como vou gastá-las. Do mesmo modo que gastei minhas noites nos últimos 8 anos: sucumbindo ao prazer fugaz de uma noite dançante.
 
O problema de ter amigas bonitas

Eu sou conhecida, quase que internacionalmente, por só ter amigas bonitas. Volta e meia vem algum amigo meu comentar:"Puta, aquela sua amiga de olhos verdes é maravilhosa..." E eu, descolada, tenho a resposta na ponta da língua:"Mulher bonita anda em bando, querido." Tudo muito cheio de humor. Mas às vezes, vou ter que confessar, é muito chato. Eu acabo me tornando uma agente-cafetina das minhas friends, e invariavelmente termino a noite organizando a fila dos pretendentes das minhas companheiras.

Isso aconteceu outro dia na Loud. Eu estava com uma inseparável parceira de noitadas no terraço, escutando drum 'n bass. Minha amiga se encantou com um músico e me incumbiu de fazer o contato com ele. Como eu tinha queimado a saia dela com cigarro - e ocasionado um pequeno rombo no tecido - não tive escolha a não ser aceitar e ordem e abordar o cara, como forma de reparar o prejuízo. Armei tudo, e eles foram ter uma conversa romântica sob o luar. (Infelizmente não teve happy end, porque o príncipe dela tinha uma namorada, que vinha a ser melhor amiga de uma colega de faculdade. Ou seja: os dois só ficaram conversando).

Ela voltou, minutos depois, com um leve sorriso no rosto, e recomeçou a dançar. Um menino, na flor de seus 21 aninhos, foi falar com ela, que foi obrigada a me deixar sozinha na pista de dança. Não que eu me importasse. Mas, dois minutos depois, um outro rapazinho de 22 veio falar comigo.
- Quero conhecer a sua amiga.
- Ah, vc também?
- É, ela é muito bonita.
- Mas já tem um falando com ela.
- Eu espero.
- Bom, então deixa eu coletar uns dados pra agilizar o processo. Qual o seu nome?
- Guilherme.
- O que vc faz?
- Estudo direito.
- Quantos anos você tem?
- 22.
- Ih, ela tem 24. Isso pode ser um problema, vc sabe, ne?
- Eu não me importo com isso.

Me virei para a minha amiga, que estava sendo sufocada pelo carinha, e sai puxando-a pelo braço.
- Querida, quero te apresentar o Guilherme. Ele estuda direito, tem 22 anos e quer te conhecer.
Os dois trocaram beijinhos na bochecha e eu saí de perto.

Daí vem o cara que estava alugando a minha night partner pra falar comigo.
- Oi, posso saber seu nome.
- Claro. Bruna.
- Vc é muito bonita, sabia?
- Olha, vamos encurtar: vc acabou de chegar na minha amiga, que te chutou, e agora vc vem falar comigo. Tá achando que eu sou segunda opção?
(Digo tudo isso sorrindo. A gente pode dizer qualquer coisa sorrindo e ninguém fica magoado).
- Mas, conversando com vc, eu estou te achando mais interessante.

Ã-hã. Desculpe, o telefone está tocando, deve ser pra mim.

No final da noite, o músico comprometido ficou olhando para a minha amiga de longe, e ela para ele. Mais um amor platônico gerado por whisky, red bull e pistas mal iluminadas. E adivinha só quem encontrou conforto em braços alheios? Pena que era figurinha repetida - que, como se sabe, não completa álbum, nem dá casa, comida e roupa lavada.



quinta-feira, agosto 22, 2002

 
Machismo

Fui acusada de ser machista aqui com meus coleguinhas. Tudo porque ontem eu estava falando da minha festa de aniversário, a ser realizada na semana que vem, e disse para um dos meninos já ir arrumando uma desculpa para se livrar da namorada. Uma das girls ficou meio indignada:"Que isso, não precisa arrumar desculpa. Deixa ele levar a namorada." Daí eu fiquei sem graça e expliquei, meio sem razão, que estava mais acostumada a sair com meus amigos quando as respectivas estavam em casa. E terminei me corrigindo, dizendo que claro que ele poderia levar a namorada para a minha festa.

Mas daí eu não aguentei e acabei soltando: "Apesar de que eu acho os meus amigos mais divertidos quando eles estão sozinhos." Ih, fechou o tempo. As duas mulheres que estavam na sala - fora eu - me olharam com uma raiva tipicamente feminina nos olhos. Uma delas disse:"Que absurdo! Que coisa mais machista de se dizer." Aí eu disse: "Machista? Não, eu sou mulher, ~como posso ser machsita? As mulheres é que são muito chatas quando estão com os namorados." Com essa só piorei a minha situação.

Os homens, é claro, ficaram do meu lado. Mas uma coisa que eu ainda não entendi é por que precisa existir essa guerra de sexos. Por que as meninas têm que ficar do lado das meninas e os meninos do lados dos meninos? Isso sim é machismo. Eu não concordo com um monte de coisas que mulheres fazem, ou que homens fazem, ou que gays fazem. Não fico totalmente do lado de ninguém. E só não disse que queria as minhas amigas fossem desacompanhadas porque eu sei como é mulher comprometida sem o namorado: fica o tempo todo pensando no amado, solta uns suspiros bobos, fica ansiosa. Isso, é claro, no auge da paixão, quando os pombinhos estão apaixonadíssimos.

Se tem uma coisa que realmente me irrita é não ser compreendida. Bati o pé e disse que é um saco homem com namorada a tiracolo. Elas continuaram me fuzilando. Então eu saí de cena. Dessa vez, vou ser franca: estou do lado dos meninos.
 
Tromba

Mau humor é uma coisa realmente cretina... Eu chego no trabalho e fecho todas as janelas, e a minha colega de sala comenta que a gente vive em um sarcófago. Eu, imadiatamente, acho que o comentário é uma alfinetada pessoal, e rebato dizendo que a claridade me incomoda. Fecho a cara e dou o assunto por encerrado. Ela se vira para o computador e desiste de falar comigo.

Tudo porque ontem eu não saí. Acordei cedinho hoje e, ao invés de achar legal ter a manhã livre, fiquei arrependida por não ter encarado uma noitada sozinha. Todas as minhas amigas furaram e já estava muito tarde para que eu tentasse colocar novos nomes na lista de não pagantes da festa. Desisti, com a certeza de que iria me arrepender depois. E olha que só se trata de uma festa estúpida.

Talvez a cretina, nessa história, seja euzinha, e não o coitado do mau humor.

quarta-feira, agosto 21, 2002

 
hehehe


Que estado você é?


 
Foi mal... eu não resisto.

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Qual prostituta cinematográfica você é?




 
Para ler cantando (duvido que depois alguém vai conseguir se livrar desse chiclete)

Take it easy, My brother Charles
take it easy meu irmão de cor
 
Femme Fatale x Mulherzinha

Um dia desses recebi um elogio. Foi um elogio ótimo, muito bem vindo, que só poderia fazer bem ao meu ego. Mas, como diz o meu pai, eu sou toda ao contrário: o que rolou foi um nó na minha cabecinha, que ainda não se desfez. O galanteio veio de um amigo meu, numa conversa de email (mais uma vez). Não lembro muito bem do que falávamos - acho que era alguma coisa a respeito de todos nas festas terem seus pares e eu sempre ficar dançando com a vassoura - quando ele mandou: "Acho que você nunca vai ficar dançando com vassoura não, muito pelo contrário. Acho que você vai fazer, ou melhor, já faz, o estilo mulherão. Uma coisa Femme Fatale."

Ok, por que eu não estou feliz? Porque é sempre a mesma história... Neguinho cria uma imagem minha que não tem nada a ver com o original e depois, obviamente, se decepciona. Meus namoros foram por água abaixo, basicamente, porque depois de uns meses eu mostrava meu lado mulherzinha: ciúmes, inseguranças e outras coisas bobocas. Daí o cara pensava: "Putz, achei que estava com a Madonna e na verdade era a Regina Duarte..." Se bem que ser a Regina Duarte é fundo do poço demais; ainda não cheguei lá.

Quando disse isso ao meu amigo, ele respondeu que eu tinha que optar por uma das duas. É claro que a primeira coisa foi pensar em assumir a Femme Fatale em mim, mas acontece que eu simplesmente não conseguia vizualizar a Jessica Rabbit com dois filhos e fiel ao seu coelhinho. Pra mim é mais um comportamento do tipo "estou com todos e não sou de ninguém". E isso não sustenta uma vida, sustenta? Depois eu pensei em virar mulherzinha. Mas aí tem um monte de coisas que me incomodam, inclusive o momento "vivo para o meu homem". Eu não consigo ver o meio termo. Só há possibilidade no 8 ou no 80.

Hoje à noite eu vou sair. Ainda não decidi se será na pele da Fatal ou da Dona de casa. Que coisa mais difícil que é a gente ser coerente com o mundo. Mesmo se eu resolver que nos dias pares sou boazinha e nos dias ímpares sou uma destruidora de corações, isso não resolve o meu problema. Acho que, definitivamente, o negócio é dançar com a vassoura. E levando ela de casa, pra já ficar garantida.




terça-feira, agosto 20, 2002

 


Aqui era para aparecer que o meu Rockystar dream Boyfriend é o Tom York.... Apesar de eu achar ele um chato que só canta chorando.
 

Which PPG are you?


 




Você é "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" de Jean Pierre Jeunet. Você é engraçado(a), original. Uma pessoa leve e maravilhosa de se conviver.

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia



 
Meu cérebro masculino

Contei que fiz um teste que dizia que o meu cérebro funcionava à maneira masculina. Mas eu não tinha, até ontem, lido os comentários sobre o resultado. E sabe o que aquele estúpido livro dizia? Que as mulheres com cérebro masculino têm tendência a serem lésbicas! Pensei: "Ah, não, tenho poucas certezas na minha vida, e uma delas é a minha opção sexual." Mesmo assim, só pra me certificar, liguei para um amigo (gay) e fiz o teste com ele por telefone. A pontuação foi 150 - a minha foi 90. Então, pelo que me consta, ele é mais mulher do que eu!
Desci com cara amarrada e meu pai logo notou:
- Que foi?
- Fiz um teste que falou que o meu cérebro é masculino.
- O seu?
- É.
- Tinha que ser. Com você as coisas sempre são ao contrário.
Meu pai, às vezes, é muito cruel.

Mas o engraçado é que a explicação para quem tem a minha pontuação não bate em nada comigo. Diz que a pessoa tem mais facilidade para assuntos lógicos, contábeis e que não se deixa levar pelas emoções. Wrong! Acho que já deu pra sacar o quanto as coisas comigo funcionam na base do "deixa levar". E como eu quebro a cara por causa disso. Talvez eu devesse mesmo ter nascido um menininho. Aí, pelo menos, não ia ter que ficar me preocupando com regras sociais do século XIX e que, por uma estranha razão, ainda vigoram hoje em dia.

Me digam a verdade: existe alguma mulher no mundo que nunca tenha sonhado em ser homem? Duvido, sério. Assim como duvido que existam aquelas musas Bilacquianas inatingíveis e prontas para enlouquecer os homens com inexplicáveis jogos de sedução. Definitivamente, o designer que fez a minha embalagem faltou à reunião sobre as características do produto.
 
Quebra pau on-line de ontem

Nunca contei isso aqui, mas eu tenho um e-group. São poucas e seletas pessoas que participam (eu e mais dois), mas as discussões são intensas. Ontem falamos sobre romance. Acompanhem os melhores momentos.

amiga: bruna? quero saber do jornalista ***...hehehhee

eu: ahahahahahaha
entao, ele é otimo. nao sei o sobrenome. nao sei em qual jornal trabalha. sei que mora com a namorada. nao sei aonde. nao tenho o telefone. provavelmente, nunca mais vou ver.
mas ele confirmou a minha teoria de que homens com cerca de 35 anos sabem mais... ele é ótimo. é feio mas é otimo.
só que foi só na sexta. foi só pra inaugurar a solteirice, como diz o amigo.

amigo: that's my girl

eu: ah, agora ficou orgulhoso, ne? hahahaha
pois é, finalmente eu estou virando uma menina fácil, extremamente fácil. graças a conselhos desse tipo.
assim nunca vou arrumar marido. hahahaha

amigo: sem problemas...mais uma filha-de-madonna...que quer diversão assim como lavar as cuecas do almeida. Ou ficar com quem quer do jeito que entende e depois querer que o pretê a trate como uma nobre vienense...os homens são sim ou não, preto ou branco, simples como cães...e vcs às vezes não entendem isso

amiga: sinceramente, vc, como machista quase que convicto, por trás da pele de cordeiro, acha que sào incompatíveis, né?
mas pra madonna deu certo....

eu: ah, peraí.
eu nao quero absolutamente nada com esse cara... acho que nunca mais vou ver e, se isso acontecer, as chances de um 'oi' reticente sao muito grandes...
é claro que se eu fosse levar esse cara a sério eu nao teria agido do mesmo modo. só que o que me preocupa um pouco é como os fatos correm, entendeu? de repente metade das redaçoes fica sabendo que eu fiz isso ou aquilo pq o cara é jornalista e contou pra um, que contou pra outro... isso eu acho escroto.

amigo: esse é o problema...vcs dizem que não levam a sério mas nem sempre é assim...no fundo rola um romantismo...e vcs não assumem...tô cansado de ouvir isso aqui...fulana diz que tá só ficando, mas fica mal porque o cara não é romântico...outro dia uma, que é largada, solta, comentando toda triste, que nunca ganhou UMA joía...deu uma dó... eu acho que perfeição não existe...mas não é para desistir...só acho que algumas coisas tem que ficar claras...acho q as mulheres mudaram, mas os homens não...vcs querem ser independentes, fortes isso e aquilo, com toda razão...mas isso tem um preço (não estou dizendo que é justo, só que é)...ser free, moderna e tal implica em não contar cm pedido de casamento, jóias, romantismo mesmo etc. e será que vcs estão dispostas a abrir mão de tudo isso? algumas mulheres sim...outras não...acho que as duas coisas, as duas necessidades estão em vcs...só que às vezes elas são incompatíveis...a minha ex quis casar, de noiva, no civil e depois pirou na obrigação de ser independente, trabalhadora...achou que o fato de eu estar sentindo falta dela era posse e não saudade, por exemplo...na verdade vcs querem ser a madonna, usar cones no peito e perucas e serem sexies e conquistadoras e chegar em casa e ter um homem apaixonado, que ponha no colo etc

eu: ah, nao, nao concordo. acho que qqer mulher pode ser sexy, conquistadora, bla bla bla mesmo casada. quero dizer, pode ser assim com o proprio marido, oiu namorado, ou sei lá o que. é claro que existem diferenças de tratamento. vc sabe que os homens separam as mulheres de comer das de casar. Eu acho que as mulheres fazem a mesma coisa.... Toda mulher sabe fazer joguinho de seduçao, "se fazer de presa" e tal, embora isso seja um saco, já que desse lado daqui tb existe tesao, ne....
e qd vc está envolvida num relacionamento, o seu comportamento, obviamente, nao é o mesmo. entao, de repente, vc passa a ser uma mulher mais calminha e tal... sem sacanagens em cantos escuros de boates (só com o namorado hehehe)
agora, me tira uma duvida: se nao há pedido de casamento, como os casais que nao se casaram pq surgiu um filho na história acabam se casando? será que rola uma coisa do tipo: homem - eu estava pensando, vc vem pra cá todos os dias, estamos juntos há tantos anos, acho que devemos casar.
se for assim, isso nao seria um pedido de casamento?

amigo: acho que dá para unir, mas nem sempre, bruna...o que eu digo é que a maioria dos homens separa as mulheres em para casar e para se divertir...e é difícil ele casar com uma para se divertir...

eu: ok, me diz uma novidade aí.
rolou consenso no SEU caso, mas como vai rolar um consenso em um namoro?
será que é burocratico, do tipo:
ok, namoramos há 2 anos.
nossas famílias se dao bem
eu gosto de vc
vc passa mais noites auqi que no seu apt
entao vamos casar

amigo: acho que às vezes é sim...burocrático

amiga: na maioria das vezes deve ser mesmo
fala sério? vc acredita que tem gente que coloca um anel de noivado na bandeja do café da manhã? isso é hollywood. não me lembro de uma pessoa real falando isso nos últimos tempos...
p.s. não renego não, mas nunca coloquei peruca, nem peito, ué

amigo: eu acho que tem gente que faz sim...eu faria, se tivesse tido chance
ps: o que eu quis dizer é que gostava de se montar, hora!

amiga: sonho
te dá flores e jóias e depois te mata a pancadas... hehehhee








segunda-feira, agosto 19, 2002

 
Galerinha House Fino

Ontem estreou no 00 uma festinha de house bacana (ainda não sei o nome), no estilo pós-praia, das 17h às 22h. A proposta era uma coisa Calçadão-Planetário, chegando de biquíni, pé sujo de areia e cabelo grudento de sal. E eu fui assim. Joguei um vestidinho por cima do meu traje-de-banho vermelho e compareci ao evento sem um pingo de maquiagem no rosto. Cheguei às 6h com uma amiga, e o clima estava ótimo: crianças se jogando nos puffs, velas acesas no chão, sonzinho de Gustavo MM. Só não tinha a combinação básica homens interessantes & heteros - mas também não se pode exigir tudo nessa vida; ainda mais em se tratando de festas de house.

O povo foi chegando lá pelas 7h30, com suas roupinhas básicas: calça jeans (boca de sino) e blusa de algodão (da Diesel, claro). Mas foram chegando e sentando. Não importava quão contagiante era o groove que saía das caixas de som, a galerinha continuava de pernas cruzadas, bebericando Kir Royal e fumando Malboro. Eu e a minha amiga nos acabávamos na pista, ríamos alto, conversávamos com quase todo mundo, mas estávamos caretinhas. Quando você faz esse tipo de coisa sem ter tomado nenhuma droga, você é cafona aos olhos da galerinha house. Então vou mandar fazer um cartão: sou out of fashion. hehe.

Mas o que eu acho de grave nisso tudo, de perigoso até, é essa coisa de fazer pose como se um fotógrafo da The Face fosse clicar você a qualquer momento.Quando o Carl Cox veio tocar na América Latina, acabou falando à imprensa que fazer festa na Argentina era legal, porque o público era "selvagem" (ele deve ter dito: wild, man, wiiiild); enquanto que o público do eixo Rio-SP era poser. Ui, Mr Cox, isso doeu. Porque a verdade dói, né.

Uma das coisas que eu mais achei bacana na noite novaiorquina, na minha brevíssima vida de new yorker de araque, foi ver como o público não estava nem um pouco aí pro que outras pessoas estavam pensando... Tudo bem que isso era à base de muito E e afins, mas acredito que, no Rio, ou falta a droga certa pra esse tipo de gente se divertir, ou eles realmente acham muito cool fazer cara de que já viram tudo o que tinha que ver. O que, obviamente, é uma bobagem caipira de quem conhece vários países mas não consegueiu extrair a essência de nenhum deles...

Bom, o importante é que, no final, foi a música boa que venceu: na hora que eu ia embora com a minha companheira de jacas, o "povo que conta" (lembram dessa, mandada por uma jornalista do Caderno Ela?) se arrasava na pista, e até se amarrotavam um pouquinho. Ai, ai, que bom. No dia em que essas pessoas pararem de achar a Isabella Blow o máximo dos máximos, vou confiar na teoria de que o futuro do mundo será de pAZ E aMOR.

sábado, agosto 17, 2002

 
Virando homem

Estou virando homem. Minha parte mulherzinha, mesmo encolhida e com a boca tapada com silvertape, grita o quanto é absurdo eu usar a palavra "boceta" em um texto. A culpa não é minha, eu tento explicar. A culpa é do Michel Houellebecq e suas intermináveis cenas de sexo em Plataforma. Ele está me transformando em homem que gosta de homem. Estou virando um homem homossexual mas que se comporta como um hetero.

Outro dia, fiz um teste para medir como funciona meu cérebro: de maneira feminina ou de maneira masculina. Deu que eu sou masculina. Minha irmã disse que é por isso que eu não consigo achar a geléia na geladeira quando o vidro está bem na minha frente (um problema tipicamente masculino, já repararam?), mas eu acho que, na verdade, o buraco é mais embaixo: eu não tenho o modo de seduzir feminino. E as minhas "paixões" geralmente morrem depois que o contato físico é, digamos assim, consumado.

Mas eu gosto de ser homem. Na verdade, queria ser os dois, tipo um ser hermafrodita. Uma mistura equilibrada de ambos os sexos. Infelizmente, ainda não tenho o golpe de vista masculino pra estacionar o carro. Mas, em compensação, tenho o ouvido feminino para detectar a quilômetros de distância papinhos mentirosos dos caras que estão por perto. Ah, dane-se. Daqui a pouco tiro a silvertape da mullherzinha aqui dentro e ela passa a dominar de novo.
 
Ok, caí na pilha geral e tirei o post que continha a palavra "boceta". Sim, seu sei: quanta decepção.

segunda-feira, agosto 12, 2002

 
Sonho Roubado

- Tenho uma coisa pra te dizer. É muito sério, vamos sair daqui um pouco.

Os dois caminharam para fora da pista mal iluminada e barulhenta. Foram até o bar e ela pediu um gim tônica.

- Eu vou morrer.
- Todos nós vamos, dear.
- Não faz piada. Estou falando sério. Hoje à tarde passei no Dr. Ângelo e ele me disse que meu estado é grave.
- Grave como?
- Um mês.

Ela não disse nada, enquanto ele a olhava, esperando uma reação após a revelação trágica.

- Você está sendo exagerado – ela disse, depois de um tempo.
- Não sou eu quem diz isso. É o médico.
- Como é possível ele dizer isso? Médicos só dizem isso depois de você ter tentado todos os tipos de tratamento.
- Me recuso a fazer quimioterapia.
- O quê? Você prefere morrer em um mês do que fazer uma porra de uma quimioterapia?
- Fala baixo.
- Rá, você consegue ser infantil até na hora de morrer.
- Não começa.

Ela deu um gole no gim tônica e se virou pro barman. Era bonitinho.

- Vamos fazer uma coisa? Não comenta com ninguém aqui da sua conversa com o dr. Ângelo.
- Por que?
- As pessoas podem não entender... Elas estão em outra sintonia... Ninguém vai te levar a sério.
- Ah, em outras palavras você quer dizer que eu posso estragar a noite, é isso.
- Não faz drama, ok?

O barman olhou pra ela, e ela retribui com um sorriso.

- Eu tenho que te pedir uma coisa.
- Qualquer coisa, gatinho.
- Você trepa comigo hoje, pela última vez?
- Quanto romantismo.
- Não seja sarcástica.
- Tá bom. Tudo bem. Mas pode ser depois da festa?

Ela olha para o barman e, com outro sorriso, pede mais um gim tônica. Ele sai de perto dela e caminha de novo pra pista de dança. As pessoas pulavam enquanto tocava uma música do Blur, e ele pensou que nunca tinha reparado em como é ridículo ficar pulando. Um amigo passa e bate no ombro dele:

- Qual é, cara, que cara de enterro é essa?

Em outra dimensão isso teria sido engraçado.

Ele pega uma cerveja e se senta num dos sofás que margeiam a multidão saltitante, e fica observando a decoração dourada da boate. Ali, bem na frente dele, advogados, médicos, designers, artistas de tv e até burocratas do setor público se sacudiam. Em qualquer conversa de bar sobre um hipotético Apocalipse, essas pessoas diriam que fariam das últimas horas os momentos mais loucos de suas vidas: correriam nus pela rua, participariam de orgias, cheirariam até ter overdose. Se eles soubessem como era estar ali, à beira do precipício do fim do mundo... Não tinha nada de selvagem, de corajoso. O que existia era uma grande, uma absurda tristeza. E medo. Muito medo.

Ela conseguiu localizá-lo depois de muito custo, sentando num canto da boate. Foi até ele com um sorriso nos lábios, guardando na bolsa um pedaço de papel do que seria o telefone do barman. Sentou no seu colo e perguntou, colando sua boca no ouvido dele:

- Quer ir embora?

Ele queria fazer sexo, estava ciente disso, não precisava perguntar. Mas de repente aquilo tudo ficou mínimo: a música, os pulos, a boca dela no seu ouvido, os peitos tocando o seu braço. Aquilo ficou desprovido de qualquer importância, se é que já tivera alguma. Ele respirou fundo:

- Na verdade, quero muito. Mas não com você.

Ela o olhou um pouco confusa, e depois com raiva. Apesar disso, manteve o sorriso e, se levantando, respondeu:

- Como quiser.

Saiu caminhando para o meio da pista. Só ele, que a conhecia muito bem, sabia o quanto ela tinha ficado irritada. Até magoada, quem sabe. Essa não era a intenção dele, mas nessa altura dos acontecimentos não estava muito incomodado em como ela se sentia. Pagou sua conta no caixa e foi para embora.

No apartamento, deitou-se na cama e ficou observando o teto. Em trinta dias ou menos, estaria tudo acabado para ele. Foi até o armário onde guardava os remédios, e resolveu tomar algumas pílulas pra não acordar nunca mais. Como não sabia qual era para quê, misturou tudo e mandou pra dentro.

Antes de cair no sono, ele ainda conseguiu pensar: “Definitivamente, a minha biografia merecia um final melhor. O mau gosto dessa história é sua total falta de humor inteligente”. E, então, apagou.

 
Partículas de Solidão

Até que para uma pessoa triste ela sabia fazer boas piadas e tinha uma agenda de telefone cheia, que assegurava cerca de 50 convidados presentes em cada festa de aniversário. Não era esse o problema: amigos ela tinha, conhecidos e companhias esporádicas também, e a rotina na qual se encaixava era bastante segura - de segunda a sexta, trabalho; sábado e domingo, um rodízio de boates e beijos casuais com coadjuvantes sem nome. O problema era saber que, apesar de tudo, era triste. Não eram os momentos em geral que importavam para o veredicto final, mas as partículas de solidão que a cercavam. As noites de domingo ouvindo música. A obrigatoriedade que sentia em comparecer em todas as festas a que era convidada. A dificuldade de entender o que era bom e o que era mau pra ela mesma.

Havia momentos em que ela dizia: “que se dane” e partia para alguma quebra do cotidiano. Mas no dia seguinte sua cabeça doía de remorso e, pouco a pouco, ela recolocava em ordem a casa interior: almoço às 2h da tarde, retornar o email da amiga que está em Londres, comprar mais queijo. Sabia que a vulgaridade de tudo aquilo era enlouquecedora, mas preferia não pensar sobre isso, para não transformar aquele incomodozinho no estômago em desespero. Sua receita era controlar os pensamentos errados, porque esses eram “maus”, ou tentar transformar esses pensamentos em algo construtivo, porque isso era “bom”. Devia ser bom, ela achava.

De vez em quando, ela pensava: “Se realmente existe alma, a minha precisa de um sedativo”. Ela via seu espírito, se é que era verdade que tinha um, como um barco sem motor no meio do Pacífico: oscilando em marolas de desânimo e criatividade e sujeito a maremotos que quase o faziam afundar. Sendo levado pela correnteza para uma ilha deserta que muitos chamariam de paraíso. Tentando desesperadamente não bater contra as pedras.

Hoje ela resolveu definir metas. Começou tirando da cortiça fotos de pessoas que não eram mais importantes. Depois organizou os Cds por ordem alfabética, sabendo que aquilo duraria, no máximo, uma semana. Pra terminar, escreveu num papel o que tinha que fazer para criar algo diferente. Estavam lá seis itens, que iam de adquirir uma dieta mais saudável a parar de ruminar problemas éticos que não tinham solução. Quando acabou, estava longe de sentir aquela sensação de dever cumprido. O que tinha era um nó seco na garganta que só passou quando ela acendeu o décimo primeiro cigarro do dia.


sexta-feira, agosto 09, 2002

 
Yes, Iam Mother Nature´s son
And I´m the only one
I do what I want, and I wanta what I see
Could Only happen to me.
I´m so free. I´m so free

Ainda acredito que uma boa letra de músia é aquela que se adequa ao que o ouvinte quer ouvir. Valeu, Lou. Casa comigo.

quinta-feira, agosto 08, 2002

 
Breaking Up

Ela correu para o restaurante onde haviam marcado, no Leblon. Apesar da distância, estava certa de que eles se entendiam, conversavam, davam um ao outro o ombro do consolo. Eram mais que amigo; cúmplices, eu diria.

Quando chegou, ele já estava sentado numa mesa ao ar livre, olhando o vazio. Tinha uma expressão leve, pensativa, encarando o movimento da rua. Ela chegou por trás dele e o surpreendeu com um beijo na bochecha e ele se virou com um sorriso. Era um sorriso, ela tinha certeza, depois de repassar repetidas vezes a cena na memória. Puxou uma cadeira e pediu ao garçom uma coca light.

- Então, como anda a França? Ela perguntou com um tom de exagerada animação.
- Igual ao de sempre, eu acho. Nada mudou naquele lugar em 400 anos, imagino...
- Sou louca para conhecer Paris. Acho que ia ser uma delícia andar pelo Champs Elyseés com você.
Estendeu a mão e acariciou o cabelo dele. Ele se ajeitou na cadeira e subitamente assumiu um ar sério.

- O que houve?
- Nada.
- Fala a verdade, o que houve?
- Nada, estou dizendo.
- Será que dava pra você jogar limpo comigo, por favor?

Ele tomou fôlego:
- Eu estou apaixonado por uma pessoa que não gosta de mim.
Ela sentiu um arrepio percorrer a espinha e o sangue pareceu escorrer para longe do seu corpo.

- Quem é ela?
- Você não conhece.
- Brasileira ou francesa?
- Brasileira.
- Onde você a conheceu?
- Isso não importa nesse momento.

Silêncio.

- Desde quando você está apaixonado por ela?
- Três semanas.
- É pouco para estar apaixonado, não é?
- Mas eu acho que estou.

Novo silêncio. Ela remexe a bolsa e pega um cigarro.

- Quando você voltou a fumar? Ele pergunta.
- Há dois dias.

Ele mexe no bolso e pega seu próprio maço.

- Você também está fumando?
- Há duas semanas.
- Ela fuma?
- Fuma.
- Previsível.

Mal estar. De repente ela sente uma vontade irresistível de pegar o livro na sua bolsa e ler, ignorando a presença dele. Ou se levantar e ir embora, sem olhar pra trás. Ou jogar na cara dele o copo de coca. Obviamente, não fez nada disso - ao invés, continuou pateticamente imóvel e muda.

- Por que não me contou antes?
- Estava tomando coragem.
- Então, assim, você agora gosta dela e não gosta mais de mim, é isso? Ela tomou o meu lugar, é isso?
- É só isso que importa pra você? E eu? Aquilo lá está horrível pra mim. Não tenho emprego, conheço quase ninguém – amigo mesmo, nenhum – e agora isso...
Passa a mão pelos cabelos.
- Peraí, o que você espera, que eu encoste a sua cabeça no meu colo e eu converse sobre o seu amor não correspondido?

Outro silêncio. Quanto constrangimento.

- Você já falou pra ela?
- Já.
- E ela disse que não tinha nada a ver.
- Exato.

Ele consulta o relógio, ela verifica as unhas.

- Você tem que entender que o que eu menos queria nesse momento era magoar você.
- Rá.
- Mas eu sou humano. Sou homem. Estou sozinho lá, estou vulnerável a essas coisas. Mas não quero perder você. Você é muito importante.
- Imagina, você tem muitos amigos, muita gente pra te dar uma força.
- Tenho amigos e amigos.
- Não diz que eu sou sua amiga.

A grande ironia de tudo era que ela sempre havia prezado o companheirismo dos dois. E no final só tinha sobrado isso.

- Existe mais alguma coisa que você queira me dizer? Porque eu sinceramente acho que já está na hora da gente encerrar a conversa.
- Eu vou explicar tudo pra você. Vou mandar um email explicando tudo.
- Nada disso. A gente encerra essa questão hoje. Diz o que tem que dizer agora ou não diz mais.

...

- Eu ainda te adoro.
- Quer parar com isso? Você acha mesmo que eu quero ouvir isso agora? De que adianta você me adorar se você não tem mais vontade de fazer sexo comigo?
- ...
- Desculpe. Desculpe. Escapuliu.

Ela começa a juntar as alças da bolsa.

- Eu preciso da sua amizade.
- Por favor, não começa, ta? Vamos terminar logo com isso. Acho que não há nada mais a ser dito.

Os dois se levantam e ficam de frente um pro outro. Ele encerra:
- Desejo toda sorte do mundo pra você.
- Idem.
- Tchau.
- Tchau.

Ela pensa em apertar a mão dele, mas acha que ia ficar muito formal. Ela pensa em dar um abraço, mas acha que aí já era sentimentalismo demais. Decide por se virar e sair andando, sem olhar pra trás, cantarolando baixinho aquela música do Sonic Youth: “Did you get your disconection notice? Mine came in the mail today.” Incrível como qualquer música pode significar qualquer coisa, dependendo do que a gente está precisando ouvir.

A vida, às vezes, abusa de seu direito de ser ordinária.


quarta-feira, agosto 07, 2002

 
Como viver desempregada - Ao que tudo indica, eu agora sou uma pessoa sem emprego. Não se enganem com o tom jocoso empregado aqui; eu estou realmente desesperada. Mas como o desespero não ajuda muito, resolvi aproveitar meu primeiro dia de desocupada fazendo coisinhas agradáveis:
1) fiz ginástica até 12h
2) fui almoçar com um amigo na Gávea e encontrei outra galera por lá
3) comprei o último CD do Sonic Youth para me mimar
4) tentei instalar o meu DVD
5) Desisti de instalar o meu DVD
6) Entrei na internet e chequei todos os meus emails
7) Voltei a fumar (essa eu sei que vai deixar todo mundo triste)

Murray St. - Quando fui comprar o CD não tinha a mínima idéia de que seria o do Sonic Youth. Fiquei com o do Moby na mão, mas como o SY era mais barato, acabei levando esse mesmo. Nem percebi que o nome do disco era Murray Street. Dei uma rápida olhada na contracapa e vi a foto da plaquinha da rua Murray, que me pareceu ligeiramente familiar. Só quando estava a caminho do carro, doidíssima pra chegar em casa e ouvir meu disquinho, me dei conta: eu trabalhei na Murray St como garçonete, quando morava em NY. Aliás, eu trabalhava num lugar chamado Murray´s Restaurant. Fiquei emocionada - com certeza isso é um sinal. Talvez eu deva voltar pra Nova York. Talvez as coisas não estejam tão pretas, já que eu ainda estou empregada, teoricamente. Talvez as coisas possam ser boas, afinal. Esperemos para ver.

Projetos - finalmente este blog vai voltar a ter textos inteligentes, como eram antigamente. Chega dessa coisa dia-a-dia, porque no final tudo é um pouco igualzinho ao resto. E agora vou poder escrever o meu livro sobre a garçonete manca. Opa, ninguém vai roubar a minha idéia, ok? Bom, de qualquer maneira, não vou entregar como a garçonete manca é. E quem está achando que vai ser um livro boboca como o texto desse momento, está muitíssimo enganado. Aguardem.


segunda-feira, agosto 05, 2002

 
Terminado

Acabei Como ser Legal. Estava lendo em inglês, o que me fez reparar em várias coisas interessantes: 1) O título está mal traduzido. em inglês, o nome do livro é How to be Good, e good, nesse caso, tem tudo a ver com a tradução literal. Ou seja, bom. O livro fala o tempo todo de bondade, caridade, etc. Legal, pra mim, remete a uma coisa descolada. Mais pro sentido de cool. Então já começa que o título é uma tentativa de atrair o povo moderninho.

2) A partir de agora, tudo quanto é autor americano e inglês eu vou tentar ler na lingua original. A quantidade de piadas e trocadilhos que devem ter se perdido na tradução de Como ser legal pode até comprometer o romance, que tem umas tiradas óóótimas. Algumas coisas são britânicas até a raiz dos cabelos - programas de TV, o uso da expressão bloody a cada cinco minutos, citações sobre a Igreja Anglicana... Juro que agora ando obcecada por traduções, com medo de estar comprando gato por lebre. Queria poder ler meu queridinho Henry Miller em inglês pra tirar a prova. Ele é foda em português traduzido. Será que é muito melhor no original?

3) A protagonista Kate é definitivamente uma chata. Mas o engraçado é que eu consegui achar ainda mais chato o marido bonzinho dela. Cheguei a torcer pra ele se dar mal mesmo. E simplesmente não consegui entender por quê a Kate não vira as costas e vai embora! Bom, não posso falar coisas tão específicas assim, em respeito aos que não leram. Mas ela é muito chata, paranóica, introspectiva ao extremo... Praticamente eu, hehe.

Agora comecei a ler Plataforma. De um francês chamado Michel Hollocqend (será que é isso?). Primeiro capitulozinho e já parece bom. Sei que, mais uma vez, vou odiar o protagonista. Ele parece bem nojentinho, se acha por cima da carne seca. É machista mas não pega ninguém. Não está nem aí pra morte do pai. Ou seja: se acha mais interesante porque é diferente...
 
Minority Report

Fui ver na sexta feira o filme novo do Spilberg. Minha amiga conseguiu os dois últimos ingressos pra sessão de 11h do Downtown, e a gente teve que sentar separadas porque o cinema estava cheio. Mas nem isso impediu que nós duas fizéssemos comentários sobre o Tom Cruise hehehe. Uma vez menininha, sempre menininha....

O que me fez viajar durante horas foi a direção de arte do filme. Cara, aqueles carrinhos que andam de lado são tudo de bom. E as pistas de 90 graus? Tomara que em 2056 o mundo seja daquele jeito, com uns computadores transparentes lindos, e um mouse em forma de luva... spilberg, você tirou onda dessa vez, como há muito tempo não fazia. Está perdoado pelo papel ridículo que você fez em A.I.

sexta-feira, agosto 02, 2002

 
A versão feminina do 'jogar bola'

Hoje eu estava conversando com um amigo meu, comprometido, dizendo que ele devia ter uns dias assim de liberdade, uma espécie de dia oficial do jogo de futebol com os amigos. Um feriado matrimonial, digamos assim. Porque, convenhamos: não há nada mais cala a boca de mulher do que um "vou jogar bola com meus amigos". O que você, minha amiga e companheira de luta pseudo-feminista, faz nessas horas? Insiste pra ir e fica achando tudo um saco? Pergunta se as mulheres dos outros não estão a fim de tomar um chope juntas enquanto eles estão se degladiando em campo? Nada disso; a opção mais digna ainda é calar a boca e deixar a cara metade partir em paz.

Mas essa desculpa é tão perfeita que eu acho injustiça não existir uma versão feminina para o 'jogar bola com os amigos'. Fiz uma rápida pesquisa, com um homem só - um outro amigo meu, desquitado, qe eu desconfio que sabe muito das coisas da vida - e descobri que o equivalente feminino é ir ao chá de bebê, ou chá de panela, ou qualquer chá, de alguma amiga. É óbvio que nenhum homem vai querer ir num negócio desses. Aliás, acho que nem eu iria hehehe. Furada na certa.

Mas eu não gostei dessa alternativa. Chás de qualquer coisa remetem a senhoritas engomadas sentadas em casa, conversando sobre assuntos amenos, com rostos angelicais. Pelada com os amigos remete à cervejada depois do jogo, palavrão, piadas sujas, e flertes com a garçonete feia e gostosona. O deles é mais divertido. O nosso é muito chaaaato. O cara que ouve a namorada falar que vai a um chá de panela deve respirar aliviado e pensar: "Ufa, ainda bem. Hoje tem a despedida de solteiro do cara do trabalho que eu mal conheço."

Ah, meninas superpoderosas, vamos inventar alguma desculpa mais legal... Não que eu esteja precisando, no momento. Mas é que eu tenho amigas comprometidas que, volta e meia, precisam praticamente brigar com os avecs pra poderem sair com as cumadres solteiras. Tá certo que os chás da vida são um cala boca para os homens. Mas eu não aceito. E pronto. Revoltei mesmo. E quando eu me mudar e tiver que fazer um chá de panela, vou chamar de chá de independência, que nem uma amiga minha. Fica, assim, mais eu, sabe. Uma coisa mais com cara de jovem-solteira-que-acabou-de-comprar-um-carro. Precisamos de desculpas boas - inventem aí.

quinta-feira, agosto 01, 2002

 
Emporre, o bar mais querido de nossa adolescência

Ontem eu fui no Empório, o bar de Ipanema carinhosamente apelidado de Emporre - não pelo sentido etílico da palavra, mas pelas últimas noitadas que eu tive por lá, quando a juventude dourada da Zona Sul invadiu a minha praia. Fiquei um bom tempo sem pisar no meu cantinho a um quarteirão da Vieira Souto depois que vi uma menina de shortinho em pleno julho friorento ( há muitos, muuuuitos anos atrás). pensei: "Ok, aqui não é definitivamente a minha área." E fui de ônibus pra Dr. Smith.

Mas ontem eu voltei a ele. Dizem que o Empório tem uns 30 anos, e que o Vicente, aquele garçom de barbão que acho que é o dono, na verdade é uma espécio de Mun-ha, que não fica (mais) velho nunca. A minha madrasta costumava frequentar o Emporre, na sua adolescência. Imaginem, ela já foi adolescente. Às vezes é muito difícil de acreditar. O que prova a minha teoria de que, para ser adolescente no Rio de Janeiro, se você gosta de rock, tem a obrigação de passar na Maria Quitéria (ou Joana Angélica - whatever).

Bom, pra variar tinham vários gringos lá. Tinham uns meninos rock 'n roll gatinhos, e um era ator do programa Sandy & Junior - quando descobri fiquei com medo. E tinha uma garçonete que fazia poses estilo Transpoiting no balcão. Quando eu me levantei pra ir ao banheiro, um gringo me puxou pela perna, e eu preferi acreditar que ele tinha me confundido com outra pessoa. Achei que, por ser um lugar de rock e cerveja, ele ia levantar e me encher o saco. Mas não, o cara continuou sentado, e eu pensei: não se fazem mais bebedeiras ao som de Stones como antigamente

Acabou que eu tomei três Gim Tônicas, porque me disseram que gim fazia bem pra pele, e tive que ir pra casa quando estava querendo ficar mais. Meus amigos estavam cansados depois de um dia inteiro de seviço (sic). Não se fazem mais teenagers como antigamente.

Atenç?o: isto n?o é um di?rio//// Pesando: 55 Kg.// Gastando: com nada. Os amigos pagam pra mim :)/// Pensando: Sobre a muito bem vinda leveza do ser./// Lendo: CRIME E CASTIGO, Dostoievski e TR?PICO DE C?NCER, de Henry Miller AVISO!!!!!!!! Agora estou em www.mulherzinhagirlie.blogspot.com Até que alguma boa alma do Blogger conserte as minhas atualizaç?es. APARE?AM POR L?!!!

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