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Pequenas Observaç?es sobre Coisas sem Importância

     

terça-feira, setembro 17, 2002

 
Tudo isso

As últimas palavras de Timothy Leary foram “Por que não”, em várias entonações diferentes. As minhas primeiras palavras hoje de manhã foram “Tudo isso”, com uma única entonação de descrença. O problema é esse maldito momento que eu tenho, entre a hora em que acordo e a hora em que levanto da cama. Esse espaço de tempo é indeterminado: pode durar de dois a 30 minutos. É quando fico pensando sobre coisas sem qualquer importância, mas que, dependendo do meu estado de espírito, podem acabar tomando proporções impressionantes. E, considerando que os meus últimos dias não foram dos mais animadores, quase sempre eu acordo com um mau-humorzinho existencialista.

Hoje a palavra não seria bem mau humor. Seria mais como a descoberta desconfortável de uma mentira. Eu não sei se tinha sonhado com alguma coisa. Mas lembro que ontem fui dormir com uma sensação muito boa, com uma impressão de que existem planos a serem realizados. Ontem à noite tracei um trajeto de sucesso para mim que nunca descia, era sempre pra cima, pra cima, pra cima, e eu quase podia me ver como a presidente de alguma multinacional – se eu quisesse isso para a minha vida. Ontem à noite eu era uma jovem ambiciosa, mas que não pisava em ninguém, corajosa e disposta a lutar com toda a sua garra pela realização de seus planos. E hoje, o que eu sou? Nem a metade da pessoa que encostou a cabeça no travesseiro ontem.

Hoje abri os olhos para ver as horas e fui encurralada pelos pensamentos. Começam bem pequenos, medíocres, e eu acho que eles não significam nada. Mas logo eles tomam uma dimensão absurda, que acaba atravessando o estômago e fechando a minha garganta. Eu me levantei meio zonza, e fiquei que nem uma louca encarando a minha imagem no espelho. (Eu nunca poderia participar de um reality show. Iriam realmente achar que eu sou louca. Ninguém tem o direito de saber o que se passa entre meu espelho e eu. Ninguém poderia saber por que eu fico tanto tempo apenas olhando pra minha imagem refletida. Essa boca que já o beijou muitas vezes. Esse nariz que ele nunca elogiou. Eu sou bonita, apesar das olheiras. Ele nunca foi capaz de ver isso. Ele nunca foi capaz de dizer: “Você é linda”. Mesmo que eu não seja linda, ele tinha a obrigação de me dizer isso. Eu era linda para ele. Eu era tudo pra ele. Agora que eu não sou mais nada, agora ele me fala as coisas que eu queria ouvir naquela época. Definitivamente, não podem me levar para nenhum reality show.)

E lá estava eu, encarando a minha imagem. Me fazendo perguntas e obtendo as respostas. Assim, pá, pum. Uma atrás da outra. Eu sei de todas as respostas do mundo... Podem me perguntar sobre qualquer coisa. É um dom que eu tenho, a observação. Se observo um, observo todos. Os comportamentos são muito parecidos. Meus amigos dizem: você sabe das coisas. Eu sei mesmo, podem me perguntar. Enviem e-mails, eu respondo. Mas eu menti, não é um dom. É uma merda, eu acho.

E enquanto eu estava lá, olhando, imóvel, para o meu rosto, os pensamentos foram crescendo, virando gigantes, explodindo a minha cabeça. Deixaram o meu crânio aberto e foram dominar o mundo. Eu comecei a chorar, juro. Tenho vergonha de admitir, mas é verdade: eu comecei a chorar. E, no meio daquelas lágrimas sem razão aparente, eu disse: “Tudo isso”. Com uma voz magoada. Com uma voz de quem luta pra não achar que as coisas acabam mal. E então eu repeti: Tudo isso. Procurando um cigarro, que já tinha acabado, dobrando as roupas amontoadas na cadeira, ligando o som. Tudo isso.

Só que de repente eu entendi que aquilo não ia dar em nada, e que era melhor eu recomeçar a ler a biografia da Lou Andreas-Salomé. Cada minuto perdido em frente ao espelho era um minuto morto, cada vez que eu repetia as palavras mágicas, eu gastava minha saliva preciosa. Era o fim de tudo aquilo, sem trocadilhos. Era o fim. Foi por isso que liguei meu computador e sentei pra escrever sem mesmo tomar café. Foi pra marcar o fim, pela milésima vez. Sem mágoas e mais calma eu ardentemente desejo: que Tudo isso morra. E sonhe com os anjos.



segunda-feira, setembro 16, 2002

 
Another weekend in town

Prometi que cada dia seria um relato. Só não previ que meus dias fossem se tornar tão vazios a ponto de eu achar que não há nada a ser contado. Sempre há, é claro. O problema é ter certeza de que queremos mesmo contar algumas coisas...

Domingo, noite, restaurante 00. Uma amiga contava animadamente sua noite com um famoso cineasta casado. Momento acaso no. 1: o cara estava sentado com a mulher e a sogra, ambas atrizes famosas, numa mesa na nossa frente. Eu saí de lá às gargalhadas. Minha amiga, em pânico.

Cansamos do 00. Saiu uma matéria na imprensa sobre a festa de domingo, e por isso haviam aparecido um milhão de pessoas – nem todas interessantes – que lotaram o estacionamento e congestionavam o bar (às vezes eu também tenho meus momentos mundinho fechado). Mas o problema não foi esse. O problema foi o tédio generalizado. Seguimos para o Baixo.

Momento acaso no. 2: algumas coisas só podem mesmo acontecer no Rio de Janeiro. Estava eu sentadinha e comportada na minha mesa, quando surge um carinha que é minha eterna possibilidade. Daquelas que a gente pensa: um dia eu ainda vou sair com ele. Ninguém faz movimento algum para agilizar o processo, nem eu, nem ele, mas a certeza de que os dois estariam interessados na proposta é nítida. Trocamos sorrisos muito largos e promessas de nos ligarmos. Talvez eu ligue, mas não agora. Segundo a cartomante com quem me consultei na semana passada, meu momento é de pura e simples espera. A situação espiritual está complicadíssima; então, vamos aguardar.

Um dos integrantes da mesa no BG recebe uma ligação convocando a todos para o Empório. Vamos. O Baixo é um lugar legal, mas que não permite a interação entre mesas. E nós queríamos, acima de tudo, alguma interação. A little fun, como diz aquela música do Smashing Pumpkins. Entramos nos carros e fomos para Ipanema.

O Empório está vazio. Sentamos numa mesa onde outros nos esperavam, e logo dois de nós decidem ir pra casa. Mau sinal. Eu olho em volta e vejo, mais uma vez, pessoas bonitas. Mas o ambiente está civilizado demais para qualquer conversa. Nesse momento, não é permitido dizer bobagens a estranhos. Todos têm que ser muito inteligentes. De repente, me deparo com o Momento acaso no. 3: chega no bar o cara que eu estava a fim. Acompanhado. Com uma menina que, supostamente, seria sua amiga. Aquilo já era demais pra mim, e eu penso em ir embora.

O resto do grupo decide ir à Pizzaria Guanabara. Eu não, me recuso. Não pela Guanabara, que é ótima. Mas porque tenho muito medo de que ocorra um Momento acaso no. 4. Considerando que visitei três lugares diferentes em uma noite de domingo e que, em cada uma dessas localidades, a vida me deu um pequeno beliscão no bumbum, acho que já tive o suficiente. Vou embora mesmo, sem cumprimentar o menino que eu estava a fim. E olha que hoje é aniversário dele. De qualquer modo, já descobri que o meu papel nesse mundo é unir as pessoas. É sempre depois de ficar comigo que os caras decidem namorar. Com outra. Tudo certo, alguém tem que fazer esse trabalho, não é? Então que seja eu.

01:45 de segunda feira. Estou tentando conectar e nada. Aproveitei e escrevi esse texto, mas saiu assim uma coisa de PN. Tudo bem. Amanhã eu reviso, depois que devolver o DVD do Woody Allen e fazer a aula de Body Combat. E, dessa forma, termina mais um fim de semana pra mim. The End.

 
Cidade de Deus e a minha vida

É que eu fui assistir Cidade de Deus outro dia, sozinha, em um cinema da Barra. Tinha ido ao shopping e aproveitei meu dia de folga para liquidar de uma vez por todas com aquela ansiedade ridícula em relação ao filme. Mas quando cheguei para comprar o ingresso, surpresa: a sessão iria começar duas horas depois. Duas horas! Tempo suficiente para colocar os pingos que faltavam nos Is solitários dos assuntos em que eu andava pensando.

Só que duas horas é tempo demais. Você começa pensando em chocolate e termina com sexo. É uma droga. Invariavelmente, fico melancólica depois de grandes períodos questionando mentalmente significados de entonações e frases soltas. Eu penso, penso, penso, em círculos, sem chegar a nenhuma conclusão. Aquilo, obviamente, não ia dar certo.

Não deu mesmo. Logo liguei para um amigo, pedindo socorro. Pedindo que ele saísse de ônibus do Recreio e fosse encontrar comigo na Barra. Ele, obviamente, riu e sugeriu que eu fosse até lá, já que eu tinha carro. Pensei, pensei, mas em círculos, sem chegar a nenhuma conclusão. De novo. Por fim decidi enfrentar essa porcaria toda e limpar de uma vez o meu cérebro. Já era hora de desintoxicação.

O resultado foram umas dez páginas escritas a mão no meu “caderninho de pensamentos”. Alguns desses textos estão aqui. Pedaços, pelo menos. Outros estão aguardando o momento em que vou perder o temor a certas coisas, o momento em que deixarei de me importar com o que as pessoas pensam. Esses eu ainda não revelei pra ninguém, ninguém mesmo, com medo, com vergonha, com o diabo que me carregue, com tudo. Um milhão de culpas nas minhas costas.

Mas finalmente chegou a hora do filme, e eu pude descansar a minha cabecinha. Em termos. Porque não descansou coisa nenhuma. Cidade de Deus é muito mais que soco no estômago, é filme pra gente abrir os olhos mesmo. Pra parar de chorar sobre amores perdidos ou porque não nascemos milionários. Eu saí do cinema eufórica, com vontade de abraçar alguém e discutir por horas e horas cada diálogo, cada cena, cada minuto daquele filme, pra poder decorar algumas partes, pra poder ver se eu assimilava alguma coisa daquilo tudo, pra ver se eu aprendia. Saí do filme totalmente auto-sufuciente, estranhamente certa de que nada no mundo é necessário a não ser comida, bons livros e bons filmes, certa de que o resto é bobagem, e que o segredo está em não achar que as coisas aparecem para serem aturadas, mas sim para serem vividas, até o fundo de cada situação. Até esgotar o último dos moicanos. Eu saí do cinema cheia de possibilidades, pronta para escrever uma ópera, pronta para finalmente tentar andar de skate.

É possível viver à base de boa arte, mas o problema é que o efeito dela dura pouco. Mas eu ainda fico momentaneamente extasiada quando lembro de certas frases e imagens. Ontem mesmo, preferi ficar em casa assistindo Henry e June pela enésima vez. Preferi, pra poder me lembrar direitinho de cada canto daquele filme, pra decorar mesmo. Não decorei nada, mas hoje acordei melhor. Sem ressaca moral, psicológica ou física, apenas com uma vontade louca de viver plenamente, ignorando o medo que isso me provoca, sabendo que medo desespero dor e caos fazem parte de mim, que dificilmente eu vou aprender alguma coisa com eles, mas que são eles que me fazem ter certeza de que eu realmente existo, e que posso pensar, falar, comer chocolate e fazer sexo.


sexta-feira, setembro 13, 2002

 
Porque ontem à noite foi foda e vc tava lá me ajudando.

Eu sei que tudo isso que eu vou escrever vai soar extremamente piegas, mas não estou nem aí. Eu estou morrendo de vontade de escrever sobre meus amigos. Meu amigo. Um que tem uma puta paciência com meus ataques de mulherzinha-introspectiva-ao-extremo. Um que sabe que eu não sou porra nenhuma de Femme Fatale, que não passo de uma menininha assustada em busca de um cara que seja legal. Um que me apresentou a Henry Miller. Meu deus, eu devia escrever esse texto em homenagem a ele só porque ele me apresentou a Henry Miller. Mas tem muito mais. Tem os ombros emprestados em momentos de manha, tem a recusa de ficar comigo nas fases em que eu me encontrava no auge da carência (ele com medo de magoar meu coraçãozinho), tem tudo que ele sabe de mim e que nenhum ex-namorado ou casinho meu jamais sacou. Esse cara, esse meu amigo, eu te digo: ele me ama. Uma mistura de amor de pai, de irmão, mas com uma pitada de tesão que ele controla pra preservar as coisas do jeito que estão. Eu o amo da mesma forma, e posso passar uns dois meses sem telefonar nem mandar email, que um dia a gente vai se ligar e marcar um Baixo, e ele vai ficar olhando para TODAS as meninas bonitas que passarem, e eu de vez em quando vou comentar sobre uns carinhas de cavanhaque, e ele vai reclamar que eu não estou bebendo chope, e eu vou perguntar se ele acha que eu devo ligar pra um novo personagem na minha personal sitcom, e ele vai me pedir pra eu apresentar minhas amigas, e eu vou pedir pra ele apresentar os amigos dele, e a gente só vai se encontrar durante a semana, e ele vai falar pra eu ser eu mesma, e ele vai me defender dos urubus, e eu vou aceitar essa defesa, porque adoro um colinho. E só ele sabe me dar esse colinho. Por isso que eu o amo. E, às vezes acho, não preciso de muito mais na vida que uns amigos tipo esse e umas boas sessões de cinema.
 
1 Ano do Ataque ao WTC

Começou de novo aquela história do ataque ao WTC. Começou e já acabou - ainda bem. Estavam reprisando na GloboNews a entrevista que eu dei na época... Ontem, enquanto fazia esteira na academia, um menino veio falar comigo: "Desculpa perguntar, mas você estava em NY no dia 11 de setembro? É que eu vi uma entrevista; era você?"
Eu sorri e disse: "Sim..." e não disse mais nada. É que não há nada a ser dito. A não ser que eu vá repetir TODA história de novo... Mas eu não agüento mais contar a mesma história. Me sinto como Jimi Page e Robert Plant se recusando a tocar Stairway to Heaven porque já estão de saco cheio da música.
 
Eu sei que ando sumida. Recebi emails de alguns amigos reclamando do abandono deste blog. Mas agora, voltei! e queria esclarecer uma coisa: eu não conheço o dono do fusquinha cor de rosa com estofado de oncinha. Acontece que uma das minhas melhores amigas conhece. trata-se da ex-mulher de um cara rico pra cacete, que ficou entediada com a vida e decidiu ter três carros cor de rosa com estofado de oncinha, segundo a lenda. Numa certa ocasião em que a minha amiga teve que se virar a pé no Rio de Janeiro - seu auto estava no mecânico ou tinha sido roubado, não lembro - essa entediada ex-mulher de rico emprestou um de seus carros para ela. Era um daqueles Gols antigos, anos 80, quadradões. A gente tirava a maior onda com ele, saindo à noite pela Zona Sul carioca, nos nossos 18 aninhos... eram 18 aninhos? Já nem lembro mais. Meu deus, às vezes eu sôo como o meu pai.

sábado, setembro 07, 2002

 
O cinismo

Descobri que era uma cínica quando conversava com um amigo, tomando vinho e ouvindo Blur. Ele me falava de um grupo de pessoas que tinham parado de comer voluntariamente e, por incrível que pareça, viviam de maneira saudável. Segundo o meu amigo, toda a energia que essas pessoas precisavam para sobreviver elas tiravam do sol, mesmo sem fazer fotossíntese. Tudo era uma questão de saber direcionar o cérebro para transformar a energia solar em calorias utilizadas pelo corpo. Eu ouvi a explicação com um sorrisinho nos lábios e, por fim, disse algo do tipo: "Imagino que eles devem levitar ao invés de sair andando por aí, não é?"

Admito que não foi uma coisa muito legal de ser dita na hora. De qualquer maneira, meu amigo se ajeitou na cadeira e disse, calmamente, que tudo era possível com o cérebro humano, e que, se essa tendência se confirmasse, seria a solução da fome no mundo. Ele falava com muita paixão, e me surpreendeu o fato dele estar depositando esperanças de uma humanidade melhor no que pra mim parecia balela sensacionalista (ele viu a entrevista com esses caras no programa da Adriane Galisteu). Comecei a me exaltar na exposição das minhas idéias, talvez por causa do vinho, talvez porque aquilo pra mim era muito ridículo. O meu amigo, sempre calmo e sem elevar seu tom de voz, disse: "Bruna, você não passa de uma cínica." Eu mandei um: "como assim?!?" E Ele: "Você é cínica porque é incapaz de acreditar numa utopia."

Bom, a partir daí se seguiu uma discussão sobre o significado da palavra cinismo. Eu explicava pra ele: não sou cínica, sou cética. Ele dizia: é praticamente a mesma coisa. A situação só chegou ao fim quando uma terceira pessoa mandou a gente calar a boca: "ô seus punheteiros, dá pra vocês irem pra varanda como todo mundo e encerrarem esse papo?" E nós fomos.

Claro que, pra mim, a coisa não parou por aí (é incrível a minha capacidade de ficar ruminando eternamente frases, tópicos e até entonações diferentes. Se eu não tomo cuidado, acabo virando um vegetal, juro por deus). Eu fiquei pensando: eu sou realmente uma pessoa cínica, se este sentido equivalente ao do ceticismo existir. Eu sou incapaz de querer acreditar em certas soluções fantásticas. Essa coisa de "um dia, no futuro, todas as raças viverão em completa harmonia" pra mim não rola. Muito menos o que toda menina cresce ouvindo, o nosso "ser feliz para sempre" ao lado do homem amado. Sou mais feliz por causa disso? Óbvio que não.

O ceticismo-cinismo foi uma condição que eu criei pra, supostamente, me defender do mundo. Escolhi uma profissão que requer altas doses de desconfiança, o que me torna uma pessoa que duvida de tudo, antes de mais nada. (E olha que eu sou uma das mais bobinhas dentro do meu círculo profissional. Eu não sei mentir, por exemplo, e saber contar mentiras é uma habilitade muito necessária no meu meio). Eu não vejo esperança em novas eleições, nem ONGs e muito menos em líderes espirituais e religiões. Talvez só com a arte - e eu me refiro a qualquer tipo de arte - eu pegue mais leve e deixe me levar por um certo encanto. Talvez só com cinema e música eu me permita ser um pouco mais sonhadora. De resto, a vidinha aqui é muito pé no chão. A ponto de me desanimar.

Entendam bem: eu não sou uma pessimista. Sou apenas uma pessoa que enxerga as reais possibilidades de certas situações. Nas poucas vbezes que me deixei levar, com o coraçãozinho aberto ao novo e não-paupável, deu errado. Errado mesmo. E eu fiquei ouvindo "Another distance lefto to run" de novo, milhões de vezes.

Só tem uma coisa: eu não quero mais ser uma pessoa assim. Eu quero acreditar que um dia todo mundo vai ser feliz, inteligente, saudável. Mesmo que isso leve uns 2 bilhões de anos pra acontecer. Eu quero achar que o que une um homem e uma mulher é mais que sexo e paixão mmomentânea - é companheirismo, amizade, carinho, um monte de coisas. eu quero muito ser uma pessoa assim, mas quando começo a pensar sobre isso, o meu diabinho cochicha:"Que besteira... Tão adulta e se deixando levar por papos de três semanas atrás. Você já devia ter esquecido disso."

Não sei se vou conseguir me tornar alguém receptivo às boas coisas que podem acontecer (inclusive ao acaso. Eu deixei de ser cínica porque acreditei, outro dia, no acaso?). Mas eu estou a fim de tentar. Ainda dá um pouquinho de medo de eu levar um tombo. Mas, pensando bem, eu nunca deixei de cair por não acreditar nas coisas. Acho que as chances de eu piorar o meu desempenho profissional ou de me tornar a otária da paróquia são muito poucas. O que vai rolar é que algumas pessoas vão observar o surgimento de uma blogueira que, com muito esforço, anda alimentando utopias.
 
Vingança

A vingância do povo que não conta (como eu) é conseguir uma visita à redação do Caderno Ela. A ausência de glamour é total. hehehe

quinta-feira, setembro 05, 2002

 
Orquestra Imperial e as barbas

Eu estou com uma vida muito sem regras mesmo, meu pai tem toda razão. Ontem, plena quarta-feira, fui para o BallRoom (segunda vez em três dias), conferir a nova modinha do Rio: a Orquestra Imperial. É que uns músicos modernos e descolados, como o Moreno Veloso, o Kassin e o Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, se juntaram para tocar - com arranjos cheios de metais - marchinhas e boleros nacionais da década de 50. É claro que eu não conheço quase nenhuma música daquelas. Mas "Amélia" compareceu. E Summer Samba (ai, meu deus, como se chama essa música em português? vergonha, vergonha absoluta) também.

É uma espécie de baile da terceira idade com participantes de trinta e poucos. Gente bonita, juventude dourada Zona Sul carioca. Meninas de facha no cabelo (uma loucura. Acho fofo, mas não consigo usar. Tenho a impressão de que fico com um testão. Sempre acontece isso com as modas de verão: todo mundo usa e, quando eu tento, fica horrível. Neguinho acha que é porque eu tenho personalidade. Não é nada. Fica feio mesmo). Meninos de barba. Grande. Estilo Osama Bin Laden.

Não é implicância; as barbas estão mesmo na moda. Infelizmente, porque eu sinceramente acho horrível. Uma barbinha por fazer até que é interessante... Mas um barbão não dá. Falei pra um amigo que trabalha numa revista de adolescentes para ele fazer uma matéria sobre as barbas no povo muderno. Ele disse que já fez. E que a tendência é mundial. Até Brad (o Pitt) está com um barbão desses... eu não vi o Brad assim. Mas, enfim, acho que com ele não deve ter muito problema, ne. Agora, os pobres mortais não deveriam arriscar sua beleza dessa forma. Se bem que deve ter um monte de menininhas que acha lindo um barbão. Devem achar másculo. Eu é que tenho essa mania de gostar de caras com estética gay - é claro que não dá muito certo, no final das contas.

Mas sabe que essa Orquestra Imperial é muito bacana? Eu me diverti horrores. Achei engraçado encontrar algumas figuras lendárias do mundinho fechado do eletrônico carioca sambando e dançando juntinho. Aliás, achei bem bacana. Eu sempre lamentei ser de uma geração que não sabe dançar junto... Porque deve ser uma das melhores coisas da vida dançar colado com outra pessoa. Aos 20 e poucos, ou você gosta de forró (eu não suporto), ou você fica dançando de olhos fechados no meio da pista. Mesmo que você esteja acompanhado. E agora, com a Orquestra, a gente tem a chance de aprender a dançar ali mesmo, na hora, pisando no pé do cara e o cara pisando no seu pé (porque ele também dançava de olhos fechados e sozinho, lembra?). Os dois estão zerados, então a margem de erro é igual.

Ontem foi o último dia da Orquestra. Nesta temporada, eles disseram, nesta temporada. Significa que deve voltar lá pras férias, em dezembro, ou algo assim. Quem sabe até lá, com o calor do verão, os garotos não voltam a raspar o rosto. Vou ficar torcendo, se ainda estiver solteira. se não etsiver, nem ligo. hehehe.
 
I'm no fucking Buddhist but this is enlightment

quarta-feira, setembro 04, 2002

 
Elogio

O Nick, um amigo carioca que adotou Floripa, fez um comentário no blog dele sobre as observações postadas aqui. Um comentário fofo, diga-se de passagem. Eu gostaria muito de retribuir à altura... Dizer que morro de inveja do site dele, do design e das caxinhas de texto que se abrem quando você passa o mouse por cima dos links (mouseover, não é esse o nome? Eu sabia que namorar designers ia me servir pra alguma coisa, algum dia...hehehe). Mas, ainda assim, acho que não está à altura do que ele escreveu. Porque pode parecer apenas uma devolução de elogios - conhecida como rasgação de seda. Então, o melhor que faço é divulgar o endereço do Nick aqui no meu pobre e miserável blog, e esperar que alguém clique no link e vá para a outra página confirmar tudo o que eu disse dele. Aí vcs não vão mais me chamar de puxa-saco. Vão é fazer coro comigo.

terça-feira, setembro 03, 2002

 
Um viva ao acaso

Tenho mania de escrever frases de autores que eu gosto na minha agenda. Não é uma boa idéia, na maioria das vezes: a frase, fora de contexto, perde boa parte da sua genialidade. Mas, enfim, eu tenho essa mania. A de ontem era uma de A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera (um dos meus livros favoritos): "O romance (falando do próprio livro*) não pode ser censurado por seu fascínio pelos encontros misteriosos do acaso (...), mas podemos, com razão, censurar o homem por ser cego a esses acasos na vida cotidiana, privando, assim, a vida de sua dimensão de beleza."

Ok, tirei de contexto. Foi mal, Kundera: consegui tornar brega um texto maravilhoso. Bom, mas o importante não é isso; o negócio é que eu li esse trechinho pouco antes de sair do trabalho em direção a um show desconhecido no BallRoom. Fui para esse show porque um amigo tinha que cobrir o evento para um jornal, e tinha convite sobrando. Não precisou de muito pra ele me convencer que seria uma boa, deprezinha do jeito que eu tava - ouvindo todos os dias "Another Distance Left to run", do Blur (um perigo).

Agora, pensando sobre os eventos da noite passada, estou parando para contar quantos acasos aconteceram.
1) Encontri uma vaguinha bacana na porta do Hipódromo.
2) Passei no trabalho de uma amiga e, no momento que estava lá, chegaram emails com as fotos da nossa viagem do fim de semana. Renderam boas risadas - inclusive aquelas de nocaute, que fazem as pessoas se contorcerem no chão de tanto gargalhar.
3) Fui sentar num dos bares do BG com um amigo, e acabei encontrando outro, com quem tinha trocado emails tristes de tarde. Ele viu que estava tudo bem, me deu um beijinho na bochecha e foi pra casa dormir.
4) Rumamos para o BallRoom e, lá chegando, eu vi um amiguinho muito interessante, com quem volta e meia eu esbarro pelo mundo afora. E o encontro dessa noite foi fundamental para que certas questões fossem levantadas, forçando um próximo (que, espero, não ocorrerá por acaso).
5) Quando voltei pra casa, coloquei meu mais novo CD, o Verve Remixed, pra tocar na opção Shurffle. E a primeira música selecionada foi justamente a que eu mais gosto, "Is you is or is you ain't my baby?", da Dinah Washington.

Tudo isso aconteceu sem interferência minha. Apenas... aconteceu. Sempre resisti bravamente ao conceito de que o "acaso não existe" ou que "é o destino que faz as coisas acontecerem". E ontem deu pra sacar que é isso aí: não foi uma força sobrenatural que me guiou pro Baixo, ou pro Humaitá, ou pra qualquer outro lugar. Foi, pura e simplesmente, o Caos. Por isso - e não porque tudo já estava premeditado e escrito - o acaso é lindo.

segunda-feira, setembro 02, 2002

 
Das coisas impermanentes

Tenho uma amiga que se converteu ao budismo. Converter não é o termo certo, já que budismo não é uma religião, mas uma filosofia – dizem. Estudar, essa sim seria a palavra adequada. Anyway, essa minha amiga, de tempos em tempos, repassa emails contendo ensinamentos budistas. Eu confesso, enrubescendo, que sempre deletei esses emails. Não era má vontade não, era preguiça mesmo (ou falta de tempo para ler esses textos enormes). Mas um deles eu abri, um dia, e gostei. Falava sobre a impermanência das coisas.

Segundo esse texto, uma das causas do sofrimento dos homens é a dificuldade de aceitar a impermanência das coisas. O problema é que tudo que passa por nós – inclusive nós mesmos – tem tempo contado. Nada, absolutamente nada, dura para sempre.

O problema é que eu sou daquele tipo de gente que odeia ouvir que tudo na vida tem fim. Eu luto para que não tenha; me agarro com unhas e dentes às minhas posses. Choro quando tomo o último gole e me recuso a comprar outra garrafa de bebida, porque me apeguei àquela primeira. Eu esperneio, chuto a mesa e, depois, saio do bar com um pedaço faltando no meu coraçãozinho melodramático. Mesmo que a sede já tenha passado.

Mas isso é tão ridículo, essa história de se apegar a objetos, situações e pessoas como se fôssemos donos deles. Isso é tão ridículo, levando em conta que todo mundo que eu conheço caminha para o mesmo lugar: o abismo que alguns chamam de céu e outros chamam de cova. Eu sei que é medíocre tentar fazer o tempo parar. Mas eu simplesmente não consigo deixar a onda levar para longe o que me dá prazer – mesmo que existam dezenas de oportunidades de conseguir novas fontes de bem estar.

Ultimamente, eu tenho sido forçada a aceitar essa impermanência. Eu, como criaturazinha possessiva e autoritária, não deixei a situação fluir naturalmente, agarrei e atrasei o quanto pude o tempo de vida dessa situação, e ela acabou me sendo arrancada. Olha eu aqui, sem chão. Olha eu, sem saber onde é o norte e onde é o sul.

Eu ainda não virei budista. Por enquanto, descarto veementemente a possibilidade de adotar qualquer tipo de filosofia – sou maleável e inconstante demais, nesse aspecto. Mas eu queria poder absorver pela pele a impossibilidade de paralisar o tempo. Isso me pouparia, com toda certeza, um monte de cabelos brancos e lágrimas desnecessárias. Tem gente que aprende com os erros e tem gente que só aprende na base do tapa (eu sou do segundo tipo). Dessa vez, o tapa foi forte, me pegou desprevenida – já que fazia questão de ignorar todos os sinais de que aquela situação estava morrendo – e está me incomodando até hoje. Não sei se aprendi alguma coisa, mas já parei pra pensar sobre um monte.

A impermanência das coisas sussurra no meu ouvido: “Morra. Pode morrer. Depois vc nasce de novo. Com quilometragem zerada, com olhos e bocas novas. Escreva uma poesia.” (eu odeio poesia) “Escreva um romance. Mas, dessa vez, aceita a morte. Dorme bem.”

Eu estou tentando, juro que estou. Minha cabeça dá um nó, e ainda não encontrei uma bússola. Mas, pra falar a verdade, eu acho que já morri. O pior já passou. Agora, vai começar tudo de novo. E essas são as minhas primeiras palavras.

Atenç?o: isto n?o é um di?rio//// Pesando: 55 Kg.// Gastando: com nada. Os amigos pagam pra mim :)/// Pensando: Sobre a muito bem vinda leveza do ser./// Lendo: CRIME E CASTIGO, Dostoievski e TR?PICO DE C?NCER, de Henry Miller AVISO!!!!!!!! Agora estou em www.mulherzinhagirlie.blogspot.com Até que alguma boa alma do Blogger conserte as minhas atualizaç?es. APARE?AM POR L?!!!

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