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sexta-feira, fevereiro 28, 2003
Lamentável
Vc deve estar se perguntando qual a minha moral para vir falar do seu mau humor. Mas essa maneira que você tem de me tratar às vezes, denotando ausência de qualquer carinho, me colocando como se eu fosse uma mera "boceta" pra atender aos seus caprichos de macho, colocando o sexo à frente do programa de hoje, como se essa fosse a finalidade da noite - e não a minha companhia e a sua companhia, juntinhas e inseparáveis, como foram antes tantas vezes - isso tudo me dá uma vontade de desfazer o convite, de mandar você ir pastar e encerrar de vez essa comédia. Essa sua maneira infantil de se afirmar em cima da minha tristeza, essa subida em saltos altos modelados com a minha insegurança, isso tudo vai deixando você feio, grotesco, nauseante. E de repente você não é mais interessante. De repente você não me desperta mais tudo aquilo de antes: seja a amizade, a vontade de beijar, as milhões de conversas intermináveis, os planos individuais contados em segredo. A maior verdade do mundo é: o amor é uma coisa feia. Pelo menos quando acaba.
Mas então eu me lembro de como você realmente é. Da sua melhor forma, da sua forma humana, e não esse monstro, esse abominável homem das neves, esse homem de gelo que não sei de onde surge. Eu sei que você não é assim, na verdade, e que se está desse jeito é porque anda possuído por algum espírito maligno, posto no mundo só pra deixar a gente separado. Eu não sei namorar. Nunca aprendi como é que se faz pra conseguir fazer calar espíritos maus que dominaram o corpo de meus ex-namorados e que, depois, quando eu reencontro algum desses antigos amores, eles me olham todos com uma admiração irrestrita, como se ainda chorassem pelo leite derramado (o leite que eles mesmos jogaram no chão), e alguns até dizem: "não existe mulher como você." Mas eles só descobrem tarde demais, se é que eu realmente sou esse mulherão mesmo, ou se esse papo não passa de lábia pra eu, mais uma vez, atender aos desejos masculinos. Sinto com toda certeza do mundo que você também fará parte desse grupo, e que quando eu passar você vai comentar com os amigos, com uma certa nostalgia: "Lá se vai uma mulher de verdade." E eu, como uma Amélia do século XXI, vou passar sorrindo, apoiada em outros braços que não serão seus, e comentarei ao pé do ouvido de alguém: "Aquele ali já foi meu namorado", só pra testar os ciúmes do meu interlocutor.
É isso aí. Viva o nosso futuro determinável e determinante.
Unknown 9:26 AM
quinta-feira, fevereiro 27, 2003
Texto novo no Mulherzinha.com.
Não estranhem o abuso do diminutivo. Ando muito girlie ultimamente.
Unknown 3:11 PM
quarta-feira, fevereiro 26, 2003
Maneiras de se iniciar uma conversa na hora do cafezinho com final feliz:
-Desculpe; mas é que eu acho que conheço você de algum lugar. Por acaso você estudou na Puc?
-Não, fiz UFRJ.
-Hãn... Mas você trabalha com o quê?
-Eu sou publicitário.
-Ah, vai ver é isso, eu conheço um monte de publicitários.
-É, pode ser. Você é amiga do Fabrício?
-O Fabrício que morava na Barra e hoje está em São Paulo?
-Não, que morava em Ipanema e hoje está em Floripa.
-Ih, então não conheço não...
-Ah, ta difícil.
-É. Bom, vai ver foi impressão minha mesmo.
-É. Ou então você me viu em uma dessas noitadas da vida, e de repente a gente até conversou e daí o seu subconsciente gravou o meu rosto.
-É uma explicação.
-Sempre há uma.
-Bom, então ta. Eu tenho que voltar ao trabalho.
-Peraí, você vai fazer alguma coisa amanhã?
-Não...
-Então, o Fabrício que você não conhece voltou de Floripa há um mês. Ele vai dar show com a banda dele no Ballroom.
-Ah, legal.
-Por que você não aparece lá?
-Pode ser.
-Vai ser legal, eles tocam bem. E a gente vai poder descobrir se temos algum amigo em comum.
-Legal, vou sim.
-Então ta, a gente se vê.
-Ok.
-Um beijo.
-Um beijo.
Ai, ai, se a vida fosse assim....
Unknown 9:44 AM
terça-feira, fevereiro 25, 2003
Esse texto é do livro que estou lendo, "Modos de Macho & Modinhas de Fêmea", mas eu peguei emprestado digitado assim lá da galera do Orlando Orfei. Tenho certeza de que eles não vão ficar bravos comimgo, ainda mais depois desse link chiquérrimo que eu coloquei pro blog deles...
By the way: eu amo homem predinho antigo. aliás, eu queria um desses pra mim. O apartamento ou o homem? Ah, os dois, ne... Sem regular mixaria.
Homem de predinho antigo
Xico Sá
Existem várias formas de saber se o cabra não tá nem aí pra hora do Brasil e pro casamento. Mas a mais infalível, donzelas e afilhadas do velho Honoré, ainda é observar a sua toca, seu mocó. Pela casa de um homem solteiro, sabe-se lá suas intenções.
Um tipo, em especial, chama atenção: aquele mancebo que habita os famosos predinhos velhos e charmosos. Ih, esse ou é veado, como muitos queridos amigos meus - uma parede de cada cor - ou não casam nem à força. Nem amarrado, como antigamente, com o bacamarte do futuro sogro no gogó.
Homem com casinha arrumada, badulaques, quadro de arte na parece (por mais que sejam grafismos pop), cozinha equipada com trituradores de última geração, quer apenas impressionar suas presas - quando não é veado, repitam comigo!
Quando um cabra arruma a casa, tapetinho, abajur no lugar, cortiça com recortes, boas cobertas...Sei não...Optou pela solteirice abolsuta, caçador da pior qualidade. Cafa no último. Quando a nega pisa no capacho, luzes se acendem automaticamente, numa lógica de iluminação publicitária. Lá está o quadro da moda, até o cinzeiro é arte, Tunga, o caralho a quatro. O som. Basta você pisar no mesmo capacho, já dispara com essa coisa de eletrônico com bossa-nova.
Senhoritas, nunca confiem em um homem com casa arrumadinha. Aquele que se gaba de morar num predinho antigo, charmoso...Se abrir um vinho e começar a falar como um entendido em vinho...Vixe! Corra, Lola, corra. Trata-se de um picareta de fato.
Os melhores da espécie ainda moram com as mães ou têm um muquifo de macho. Nunca conseguiram desencaixotar os livros da última mudança, embora deixem O apanhador no campo de centeio largado ali num canto, para impressionar as visitas - que são raríssimas, pois não costuma levar qualquer um(a) no mocó.
Homem predinho-antigo é um desastre. Assim como homem ervas-finas, com aqueles frasquinhos a enfeitar a cozinha. E como mulher cai nessa história de ervas-finas! Um macarrãozinho com molho veadinho...pumba!, lá se estende a danada no sofá do vagabundo.
Mal sabem elas que homem que é homem - falo dos solteiros - faz de qualquer teto um viaduto, um Joana Bezerra, uma baixada do Glicerio, um Minhocão qualquer.
Unknown 10:40 AM
segunda-feira, fevereiro 24, 2003
Aliás, frase do Rimbaud:
"É preciso ser absolutamente moderno."
Mas... O que é que ele quis dizer com isso mesmo?
Unknown 2:17 PM
Isso é que é sobreviver ao tempo:
Recebi o seguinte email:
Ola chamo-me Diana e li uma parte de "nem só de gente cool
vive Nova Iorque" acho que exageras-te com aquela cena do fim
do Mundo e do homem que estava nos seus últimos dias em Nova
Iorque. Não leves a mal mas só tou a dizer o k acho.é k eu sou
um bocado esquisita e quando leiu dessas coisas fico assustada.
É engraçado parecer que um texto escrito naquela época é exagero. Por desencargo, entrei no site e dei uma olhada. Mas a menina está enganada: nada ali é exagero não. Rolou mesmo uma fobia de "vamos aproveitar enquanto é tempo" no pós ataque. Mas quem é que iria acreditar nisso? A gente é brasileiro, não tem guerra, só tem um monte de traficante com armas melhores que as da Polícia Militar. Pra gente, o pensamento é ao contrário, uma coisa como "vamos nos reguasdar enquanto é tempo." E aí é gente em casa, fechando a janela quando pára no sinal, carregando R$5 no bolso pra entregar pro cara em caso de assalto... E pronto. A gente anda tão condicionado à essas medidas de segurança que parece até que é mesmo exagero esse troço de aproveitar a vida porque existe a iminência de uma guerra. Só que, quando a gente está lá no meião, dá medo mesmo.
Olha do que eu me lembro mais:
1) Eu, chegando no meu trabalho, e sabendo que o Antraz corria solto pelo correio americano. O escritório onde eu trabalhava ficava em um prédio do correio. Fiquei com medo de acabar sendo vítima desses malucos (que todo mundo acha que são americanos mesmo) sem ter nada a ver com isso. Pensei em voltar pra casa naquela mesma hora. De todos os perrengues que eu passei em NY, só aquele me fez pensar no meu quartinho, na minha família sorridente e nos meus milhares e incontáveis amigos. Mas eu não fui, não. Eu fiquei.
2) Os cartazes de desaparecidos colados nas paredes de Manhattan. Ok, eu sou meio manteiga derretida mesmo, mas até o mais duro coração de machão ficava tocado com aquelas fotos, descrições, emails de contato, telefones. O sinistro daqueles cartazes era que eles cobriam paredes e paredes dos prédios de NY, dobravam esquinas e desciam até o metrô. Se você parasse pra ler, era gradual: o primeiro passava direto, o segundo caía mal e o terceiro era o berreiro. Eu chorava mesmo, com muita vergonha, e depois parava de ler aquilo tudo. era tão óbvio que aquelas pessoas estavam mortas que, um dia, eu parei de olhar praqueles cartazes. E eles passaram a fazer parte de todos os grafites e publicidades que cobriam o concreto nova iorquino.
3) O terremoto. Eu nunca tinha passado por um terremoto antes. Meu primeiro ocorreu duas semanas depois do ataque. Olha só como a minha cabeça andava: eu achei que aquele tremor era um ataque terrorista a algum metrô do Queens. Tadinha de mim, nem os muçulmanos se preocupavam com o Queens (até porque tinha muçulmanos à beça morando lá, e eles morriam de medo de tomar porradana rua. Eles espalharam cartazes no bairro dizendo: "Não deixe que o ódio racial tome conta da sua vizinhança.") Mas daí, quando rolou o terremoto, eu estava deitada na cama e senti três segundo de tremor. quando parou, eu perguntei pro meu ex-namorado o que tinha sido aquilo, e pedi pra ele sair e ver do que se tratava. Quanta bobagem; ninguém sabia de nada, é claro. No dia seguinte o Yahoo noticiava um terremoto com o epicentro em Astoria, Queens. E pronto, era só isso.
4) Depois que os aviões bateram no WTC e eu saí do restaurante onde trabalhava (um dos meus dois empregos), a fumaça negra tapava as esquinas. Foi a terceira situação que ficou gravada. Eu saí do restaurante querendo muito sair dali, daquelas três quadras de distância dos prédios pegando fogo. Quando fui pra rua, não consegui ver as ruas transversais. Fui pro outro lado, então, pro norte. E fui chorando. Era uma multidão que andava, alguns chorando como eu, outros com aquele olhar incrédulo. As pessoas se arrastavam pela rua; ninguém corria, ninguém tinha pressa. Um cara falou alto que não tinha pra onde ir, porque morava em Queens (vizinho! hehe) e todas as saídas de Manhattan estavam fechadas. Ele era um homeless. Nós rimos (digo nós querendo dizer das cinco pessoas que caminhavam juntas), porque qualquer piada sem graça era o cúmulo do humor. E andamos andamos andamos.
Eu queria poder descrever melhor aquilo tudo. Porque aquilo era horrível, mas eu não queria saor dali. Eu estava eufórica porque me encontrava no lugar onde a história estava sendo escrita. Sério, eu nunca tinha tido essa sensação de meninos, eu vi. Eu estava eufórica, em estado de emergência, e fiquei trabalhando como louca no meu segundo emprego até meia-noite. É isso aí: guerra é a adrenalina dos tempos modernos.
Unknown 2:08 PM
segunda-feira, fevereiro 17, 2003
Circulando. Nada de ficar parada porque quem fica parada cria raiz, e quem cria raiz acaba um dia tendo os pés cortados. Nada disso, o negócio é movimento e ver rostos, muitos rostos, que eu acho que não percebo mas, quando sonho, sonho com eles. Eles estão registrados em algum lugarzinho do meu cérebro, e à noite os rostos desconhecidos tomam conta do meu sonho. Os personagens principais, pessoas que eu nem conheço. Que eu não conheci porque estava ocupada demais tentando encontrar gente conhecida ou interessante ou amigos de amigos. Gente que não vai fazer diferença, porque os que fazem diferença já estão aqui, ao meu lado, e os que parecem que vão mudar o mundo só sabem mesmo mudar de roupa. Com muita freqüência.
Circulando. Pra ver se eu tapeio a saudade, essa insuportável mordidinha no meu pescoço, ou melhor, na minha nuca, que não me deixa nem um minuto sequer descansar em paz. E curtir. Não dá pra tapear porque na verdade eu não quero que ela vá embora, a saudade, o último elo a me ligar a ... Quem quer saber a quem? A quem pode interessar saber a quem estou ligada pela saudade? Ele sabe. Ele (s) sabe (m), porque eu sou a rainha do mal resolvido. O meu presente é todo feito de um milhão de partículas do meu passado e eu, agora, sou um quebra-cabeça montado com um monte de boas e más experiências.
Circulando. Porque nem de longe eu tenho tudo o que quero, e acho que nunca teria tudo, nem se fosse milionária e vivesse duzentos anos. Mais de dez minutos no mesmo lugar e eu fico de saco cheio. Daí eu pego o globo que eu tenho na minha mesinha de cabeceira – propositalmente colocado ali pra me lembrar que eu sou pequena, mínima e ridícula – e observo todos os muitos e infinitos lugares que me faltam conhecer. Faltam tantos... Mas eu vou pra eles porque eu circulo e ninguém nunca vai me fazer parar pra ficar gastando meu tempo com rostos de desconhecidos e saudades.
Unknown 2:42 PM
Os livros
Esse ritmo industrial que eu tenho de sair de uma leitura para passar pra outra acaba produzindo um nó na minha cabeça já um tanto quanto confusa. Foi assim: acabei "Homem que é homem não dança" e peguei esse novo da Nilza Rezende. O primeiro fala de um escritor com dor de cotovelo porque é corno, foi abandonado pela mulher e não consegue mais escrever, e que um dia sai, enche a cara e não se lembra mais de nada, até que descobre uma cabeça de mulher loira na plantação de maconha dele. Tudo muito light.
Beleza. Cabeças de mulheres loiras enterradas em plantações de maconha eu consigo agüentar na boa. Agora, sinistro é ter que, logo em seguida, encarar o livro de NR: uma mulher que descobre que está sendo traída. E daí? E daí que eu podia fazer tudo o que a mulher do livro faz. Eu podia ser idiotamente apaixonada, e ser tratada que nem uma retardada pelo marido. E um dia ver o cara com outra mulher, todo cheio de carinhos e beijinhos sem ter fim. Isso é que é soco no estômago. Cabeças cortadas; podem me arrumar quantas quiserem, que eu penduro no lustre do meu quarto. Mas traição é jogo baixo. Acho que essa noite não vou nem conseguir dormir.
Unknown 2:12 PM
Fotos novas em Queimando o Filme. O blog mais exibido do mundo. Eu paguei alguns micos no ensaio da Mangueira esse sábado... Bom, alguns estào documentados. E expostos.
Unknown 10:08 AM
sexta-feira, fevereiro 14, 2003
Lancei uma campanha aqui no meu trabalho chamada Ajude a Bruna a Encontrar um Namorado Mergulhador. A galera levou tão a sério que uma amiga chegou a escrever um edital, com regras e pontuação, para quem quisesse se candidatar. É muito bom saber que eu posso contar com esse tipo de ajuda. :)
Mas o resto do povo daqui me mandou entrar em um curso de mergulho e parar de encher o saco.
Unknown 1:03 PM
quinta-feira, fevereiro 13, 2003
Eu, palhaça
Tem dias que eu acordo com o nariz vermelho posicionado no rosto. São dias raros, em que eu me sinto destinada a falar as besteiras necessárias pra animar a vida da garotada. E animo, coooomo animo. Sou considerada presença indispensável em festinhas e reuniões, e já possuo números de sucesso incondicional. A audiência pede, eu obedeço.
E hoje, não sei por quê, eu sou a festa do escritório. De onde raios vem esse bom humor? Não recebi aumento, não emagreci, não conheci o amor da minha vida. Mas hoje eu estou assim, no palco. Quem não gosta de mim, tem mesmo material pra me maldizer. Eu estou assim, me sentindo o show. Quem não quiser me ver, vai ter que fechar os olhos. Eu estou assim.
O problema é que, nesses dias, eu não caibo em mim. Literalmente. Não paro quieta, falo com todo mundo, escrevo emails enormes que nunca serão respondidos. Eu viro uma mala. Meu lado palhaça é tão forte que eu me sinto culpada por não ser uma dama discreta como gostaria de ser. Eu admiro as meninas que são damas discretas. E fico envergonhada quando, sem querer, eu impeço que elas emitam alguma opinião em mesas de bar.
Ninguém sabe de um segredo: às vezes sou palhaça porque estou triste. Não é o caso de hoje. Hoje tenho uma total ausência de sentimentos, a não ser essa euforia burra de começo de festa. Mas, às vezes, a palhaça surge pra me defender. É uma questão de sobrevivência chegar ocupando espaço. Ninguém vai deixar de me ver brilhando. Nem eu mesma.
Unknown 2:08 PM
quarta-feira, fevereiro 12, 2003
Eu, felina
Um amigo do trabalho me disse hoje que passou o endereço deste site para a irmã dele, que mora nos Estados Unidos. Ela leu, gostou, elogiou, mas não conseguiu deixar de fazer um comentário que, digamos a verdade, é cabível: “Mas essa menina é tão carente! Por quê isso?”
Caríssima irmã do meu amigo, eu vou explicar porquê. Acontece que a carência é um estado natural meu. Eu acho que já nasci com esse carimbo nas costas, que nem uma cruz. E que me acompanha pelos anos assim como a minha inocência – que, apesar da idade passando, nunca acaba.
A carência, minha querida, vem de todos os lados e se espalha ao meu redor. Sou dependente de amigos, de conselhos, da minha irmã, do meu cachorro, dos meus livros. Sou dependente de tudo. E fico muito, mas muito triste mesmo, quando acho que posso me encostar um pouquinho em alguém e essa pessoa tira o corpo.
É que eu aprendi isso com a minha gata. Eu encosto nas pessoas, eu me esfrego, eu faço manha, eu me espreguiço. E, mais do que tudo, eu gosto do contato de peles. Quando fico triste, fico torcendo pra ganhar um abraço. Mas daí, quando me abraçam, eu abro o berreiro, me deixo abandonar totalmente naquele ombro, até a camisa do “abraçante” ficar molhada com as minhas lágrimas de manteiga derretida.
E, como pessoa carente por definição, eu acredito que todo mundo que eu gosto tem um ombro pra eu ensopar de vez em quando. Eu tenho certeza absoluta de que ninguém vai me negar isso, esse direito de fazer e pedir carinho na hora que quiser. Eu parto do princípio de que todo mundo gosta de mim o bastante pra isso. Mas, você sabe, eu erro de julgamento milhões de vezes por dia.
E daí, quando alguém se nega a me deixar esfregar, eu me tranco no banheiro e fico encostada nas paredes, chorando, ressentida. Porque eu sou gatinha pequena, e acho que ninguém quer meu couro pra tamborim, eu fico triste. Entendeu, menina, porquê eu sou carente? Se entendeu, que ótimo: me empresta aí seu ombro que eu estou precisando de um pra encostar a minha cabeça.
Unknown 1:32 PM
terça-feira, fevereiro 11, 2003
Tem texto novo no Mulherzinha.com. Ele estava meio abandonado, mas agora eu consgeui, finalmente, arrumar uma inspiração. Bom, está lá pra quem quiser dar uma olhada...
Unknown 1:59 PM
Insatisfações e confusões mentais
O problema é que eu tenho um monte de planos, mas me recuso a tentar realizá-los por dois motivos: 1) eles podem não ser realizados, 2) eles podem se realizar e de repente eu ficar sem planos. Ok, pelo o que me conheço, planos surgem na minha cabeça que nem chuchu na serra (I can't get no/ satisfaction). Mas o problema é a interseção entre esses dois pontos. Então eu prefiro ficar na masturbação mental de planejar e sonhar com algo, mas nunca - eu disse nunca - mover uma palha para que isso mude.
Tem também outra coisa, que é a vida pessoal. Segue um pouco a lógica dos planos. Fico pensando "ai ai ai, se eu tivesse um namorado agora não estaria na noitada. Ia ficar em casa bebendo vinho e vendo DVD." Daí eu arrumo um namorado e... vou pra noitada. E fico meio de saco cheio de não estar com os amigos naquela noitada (I can't get no/ satisfaction). Além disso, estou cientificamente convencida de que não sirvo pra namorar ninguém, porque relacionamento fixo me transforma em um monstro, tipo Jekill e Dr. Hyde. Ao mesmo tempo, me certifico de que, se fosse pra casar com alguém, eu ia casar com um cara que... já é casado. E que é o único cara que eu acho que me entende e que ia conseguir domar essa fera que me possui de vez em quando.
Unknown 5:55 AM
Possibilidades
Às vezes eu acho que o mundo está me dando pequenos mimos, só pra eu não ficar uma solteirona triste. Qual a probabilidade dessas situações acontecerem na vida de uma pessoa?
Uma menina vai à praia de Ipanema, pleno sábado, Posto 9. A praia está lotada e ela está estreando seu novo corte de cabelo. De repente, um cara que estava sentado ao lado dela pergunta: "Hei, eu te conheci em Jericocoara, não é?" O cara era um israelense com quem ela havia cruzado umas três vezes e conversado apenas uma. Ela não acredita que ele consegue se lembrar dela, e os dois conversam um pouco. Ele conta que foi a Morro de São Paulo, e que gostou muito de lá. Ela decide que sua próxima viagem será a Morro de São Paulo, e pergunta todos os detalhes possíveis sobre o local. Depois, os dois falam sobre um outro israelense, esse sim muito amigo da menina. O cara da praia diz que a última vez que o viu foi em Florianópolis, e que perdeu contato com ele. A menina lamenta o desencontro. Ele pergunta sobre uma amiga da menina, que também havia viajado com ela para Jeri. A menina responde que não haviam se falado aquele dia, mas que sempre se encontravam. Os dois se separam e voltam para seus lugares na areia.
Corta
A menina verifica seu celular e percebe que há uma ligação não atendida. O recado na caixa postal é da amiga de Jericocoara, que está indo encontrá-la na praia.
Corta
À noite, a menina tem uma festa pra ir. É a comemoração do aniversário de três amigos, e será realizada em uma boate na Gloria. Chegando lá, ela encontra pessoas do seu trabalho, e descobre que há uma terceira aniversariante no local, que vem a ser alguém que estudou e trabalhou com ela. Em pouco tempo, a menina percebe que conhece (quase) todas as pessoas presentes na boate.
Corta
No dia seguinte, de ressaca, a menina liga a TV e vê um programa sobre Morro de São Paulo.
Corta
Entediada, ela checa os emails e percebe que o israelense seu amigo (não o encontrado na praia) está no Rio e quer vê-la. Os dois se encontram e vão parar no Baixo Gávea. E combinam que a próxima viagem internacional da menina será para Israel, onde ela ficará hospedada na casa do amiguinho.
Fim
*** Vai dizer que todas essas coincidências não são maravilhosas? Os acasos da vida... Milan Kundera de novo. A vida está me dando um mimo pra essa fase passar mais rápido. E eu agradeço dando um beijinho na bochecha dela.
Unknown 5:42 AM
sexta-feira, fevereiro 07, 2003
Cetim
Às vezes, quando as coisas andam tranqüilas demais, com dias deslizantes, suaves, eu fico parada esperando o pior acontecer. Penso: “Ok, quando vai chegar o carro que vai passar na poça e me deixar ensopada?” Eu fico parada, com muito medo mesmo de me entregar à suavidade do mundo e depois ser jogada em algum espinheiro. Eu me encolho. Tento me proteger. Me escondo atrás de uma parede, porque tenho certeza de que o ataque virá direto na jugular e aí, já viu, vai ser uma coisa muito feia de se ver: eu, com a jugular aberta, deitada numa poça de sangue. Esvaída. E eu não quero esse tipo de coisa não, se é pra morrer, que seja de uma maneira bonitinha, silenciosa, pacífica, durante o sono. E no final da era da humanidade, como disse um amigo meu outro dia. Morte boa é morrer no dia em que o mundo está acabando e pensar: “Rá, que se foda, posso morrer agora porque não estou perdendo nada!”
Mas meus dias estavam um veludo, e eu não entendia muito bem o que acontecia, porque eu esperava uma fase que já conheço: pensamentos sobre viagens impossíveis, exposições ouvindo walkman, passeios no centro fotografando a arquitetura. Eu me conheço. Quando quero um pouco de paz, adivinha pra onde eu vou: pra Avenida Rio Branco, o maior aglomerado de gente do Rio de Janeiro, talvez. Só que eu não fui pra Rio Branco. Eu fiquei em casa, lendo, ouvindo música, vendo filmes e rolando no veludo dos dias, achando que, finalmente, certas coisas não estavam mais importando tanto quanto antes.
E aí aconteceu. Eu quase comemorei. A espera é tão angustiante que quando finalmente vem eu penso: “Já era hora.” Mas é tudo muito ridículo, e eu quase chorei na fila do banco, porque meus dias não eram mais macios como antes e eu havia encontrado os espinheiros. E acabei caindo neles, mas ninguém me empurrou não, eu fui porque quis, sabe, e então fiquei com muita saudade do macio, mas esses dias já eram, haviam sumido e agora eu penso: hora de pegar o walkman e partir pro centro.
Unknown 7:45 AM
Eles estão me abandonando
Dá uma deprezinha sinistra abrir esse blog de manhã e ver que não há um comentário sequer. As pessoas são muito volúveis. Bastou que eu escrevesse uns três textinho mais ou menos que a galera já debandou. Brincadeira!! Mas, enfim, essa é a vida, e eu só sei reclamar dela. Vai ver por isso ninguém me agüenta mais.
O bom é que agora eu tenho total liberdade pra escrever tudo o que desejo - é claro que, quando estava namorando, rolava uma auto censura pra não machucar o corçãozinho alheio. Mas agora, partindo do princípio que o conceito de "ter coração" morreu no final do século passado (em toda a humanidade, quero dizer), eu não estou mais tão preocupada não. E me pergunto, seriamente, se algum dia deveria ter tido esse recalque.
O fato é que o mundo está acabando. Eu trabalho em um lugar que lida com tragédias, e outro dia o meu chefe disse: "Aproveitem esse princípio de apocalipse que podemos ter boas histórias." E são boas mesmo! Quem dera eu tivesse imaginado alguma delas antes. Poderia ter finalmente escrito essa porcaria de livro. O médico que esquarteja a mulher ainda viva. O casal que tacou o bebê no vidro de um carro, enquanto gritava "Satanás!" É tudo muito maravilhoso, inacreditável. Que pena que a minha imaginação, precária, tadinha, não conseguiu formular essas histórias antes delas terem acontecido.
Unknown 7:01 AM
quinta-feira, fevereiro 06, 2003
Hahaha Esses gringos são ótimos mesmo
"Forget the sniff-ing about the boyfriend. Have fun: he will miss you more than you miss him. Just don't get too wild and get that tattoo you told us about. I can't believe you missed dinner with the gringos on Wednesday night to go to a movie with a boyfriend that you dumped soon after. I hope at least it was a good movie."
Unknown 1:47 PM
Pensamentos idiotas que seriam maravilhosos se um dia realizados.
Eu tenho umas raivinhas de certos hábitos que nem eu mesma entendo. Quer ver uma coisa: tenho um desejo sangrento de que o cara que dirige com o braço pra fora da janela do carro tenha sua mão decepada em uma batida na esquina. Sério, quase desejo isso pro cara. Porque me irrita. Pra mim, colocar o braço pra fora do carro é como dizer: "Aê, sai da frente que eu sou malandro; dirijo com uma mão só, tá vendo? e ainda tiro uma onda. Eu sou foda."
Daí eles passam por mim e eu fico pensando: "E se passasse um ônibus agora e levasse o braço do cara pra bem longe? E se ele perdesse o controle do carro e esmagasse esse cotovelo arrogante contra um muro?"
Outra coisa que eu tenho vontade: de jogar um chope na cara de alguém. Que nem em filme. Imagina a cena: você chega em um bar, encontra uma pessoa que não gosta (ou que está aprontando alguma), pega um chope e taca na cara dela! Tem também o estilo low profile, que consiste em você delicadamente virar o copo na cabeça do seu alvo. Mas e a reação do outro? Bom, se for alguém tão bagaceiro quando você, ele vai sentar a mão na sua cara - mas aí tem que agüentar, afinal de contas você é uma pessoa que vira um copo de chope na cara de outra, não é qualquer tapinha que vai te derrubar! Mas se você é adepto do estilo low profile, pode ser que o seu objeto de ódio também seja, e e apenas fique olhando pra você, surpreso demais pra reagir, e com chope pingando da orelha.
Unknown 1:06 PM
quarta-feira, fevereiro 05, 2003
Ele volta logo
O clima hoje é o seguinte: sorrisinhos amarelos esparsos, um sono terrível e muita ressaca. Assim começa o meu dia. Depois de ter ido dormir à três da manhã, com a convicção absoluta de que não existe final feliz, acordo às seis e não consigo mais dormir. São três horas de sono; eu fiz as contas. Decido que só um calorzinho vai me embalar de novo e me meto em um banho quente, de horas, com cabelo lavado e tudo. Isso me faz lembrar dos meus tempos de raver, quando chegava em casa cedinho e me despia sem fazer barulho pra não acordar o resto da casa e a fera do meu pai, que ficava puto com o meu horário.
E depois do banho, voltei pra dormir e aí fui fui fui. Quase não volto a tempo. Quando levantei, coloquei Going to California pra me fazer mais um pouquinho tolerante com a minha vida, e me mandei. Deu certo. Eu estava bem humorada de novo! Mas, sabe como é: eu, como mulher, apaixonada e sofredora, mudo de humor a cada variação de luz. E agora estou muito cansada.
Ontem, no auge da minha tristeza, eu rezei. Demorei um pouco pra lembrar como é Pai Nosso e Ave Maria, já que declaro aos quatro ventos que sou atéia - mas carrego na bolsa o Santo Expedito e o São Judas Tadeu, além de ter certa fé em São Jorge. Eu adoro me contradizer. E rezei pra ver se acalmava e conseguia voltar a dormir; mas acontece que todos os pensamentos voltavam e eu ficava fritando de raiva, dor e decepção. Eu também tentei chamar a minha mãe, meu avô e todas as pessoas que já passaram desta pra melhor pra ver se eles me ajudavam a enxergar alguma luz. Nada, nada: cegueira escolhida é foda.
Insisto em dizer que quero mudar. Mas é meio difícil encontrar gente que acredita nisso e dá força pra continuar. Queria não ser tão boboca a ponto de desejar o bem pra todo mundo e não ter ninguém redirecionando o bem pra mim. O bem tinha que bater e voltar, que nem me ensinaram, nos tempos em que eu era católica. Mas eu ainda estou aqui esperando. Tô aqui olhando pro relógio. Continuo parada, colocando o peso do corpo cada hora em uma perna, impaciente e de saco cheio. Não me dou bem com atrasos.
Unknown 12:33 PM
Going To California
Spent my days with a woman unkind, Smoked my stuff and drank all my wine.
Made up my mind to make a new start, Going To California with an aching in my heart.
Someone told me there's a girl out there with love in her eyes and flowers in her hair.
Took my chances on a big jet plane, never let them tell you that they're all the same.
The sea was red and the sky was grey, wondered how tomorrow could ever follow today.
The mountains and the canyons started to tremble and shake
as the children of the sun began to awake.
Unknown 8:41 AM
Hoje mesmo, Going to California (Led Zeppelin) me salvou da vontade de não levantar da cama.
Unknown 5:43 AM
terça-feira, fevereiro 04, 2003
A mesma música tocando de novo
Hoje eu acordei com vontade de ouvir Another Distance Left to Run, do Blur, agarrada com um ursinho de pelúcia enquanto lágrimas correriam pelas minhas bochechas praticamente teens. Mas, ao invés disso, coloquei Que pena, com o Jorge Ben animadíssimo, e dei graças a deus de não ter por perto um maço de cigarro. Existem músicas (não é o caso de Que Pena) que pedem escandalosamente que você acenda um cigarro e fixe os olhos tristes no céu. I'm so tired, do Álbum Branco, embalou várias dores de cotovelo regadas ã nicotina, enquanto Black Coffe, na voz da Peggy Lee, enchia meus cinzeiros de guimbas. E eu ainda descobri que a capa do single dessa música é justamente uma xícara de café numa mesa de dinner americano, com um cigarrino queimando no cinzeiro e um chiquerrérrimo colar de pérolas displicentemente jogado sobre a toalha.
Mas eu não tenho uma música tema. Ou melhor, tenho várias por minutos. A minha última foi uma dos Strokes que diz "I didin't take no short cuts/ I spend the money that I saved up". Minha cara.
Às vezes, quando eu estou cabisbaixa e meditabunda, eu penso em algum ritmo feliz, pra ver se eu me alegro também. E quando eu tenho que andar distâncias absurdamente longas e quase morro de tédio e preguiça por causa disso, eu canto alguma coisa na minha cabeça, de preferência uma música beeeem grande. The End, dos Doors, é a minha preferida.
Agora, nesse exato momento, em que eu penso no texto que estou escrevendo e na nova fase que se inicia (é claro, esse blog tinha que ressuscitar de alguma maneira), fico cantando Heros, do Bowie. Essa música tem uma história, como todas as outras. Mas agora ela está mais pra recado do que pra lembrança: "I would be king/ and you would be my queen". Ai ai, se meu Cd Player falasse...
Unknown 1:58 PM
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Atenç?o: isto n?o é um di?rio////
Pesando: 55 Kg.//
Gastando: com nada. Os amigos pagam pra mim :)///
Pensando: Sobre a muito bem vinda leveza do ser.///
Lendo: CRIME E CASTIGO, Dostoievski e TR?PICO DE C?NCER, de Henry Miller
AVISO!!!!!!!!
Agora estou em www.mulherzinhagirlie.blogspot.com
Até que alguma boa alma do Blogger conserte as minhas atualizaç?es.
APARE?AM POR L?!!!
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